Centro vivo, calçada morta: quando a festa acontece e o trânsito some
Cultura ocupa a praça; carros ocupam tudo, com a bênção silenciosa da STRANSNa manhã do último domingo (01), o Centro de Teresina deu sinais de vida. A feirinha na Praça Pedro II, as apresentações musicais e a presença de grupos culturais, com apoio da Secult, mostraram que ocupar o coração da cidade com cultura e empreendedorismo é não só possível, como necessário. Por algumas horas, o Centro lembrou que ainda pulsa — apesar de anos de esvaziamento e abandono.
Até aí, aplausos. O problema é que, como manda a tradição local, sempre aparece quem confunde clima festivo com salvo-conduto para ignorar regras básicas de convivência. E, para completar o espetáculo, entra em cena a STRANS, especialista em presença invisível quando mais se precisa dela.
Sob o pretexto da festa, alguns condutores decidiram inovar na geografia urbana: carros estacionados sobre calçadas, dentro da praça, em áreas claramente proibidas e com sinalização explícita. Uma verdadeira intervenção automobilística no espaço público, sem curadoria — e sem qualquer fiscalização.
Nenhuma viatura, nenhum apito, nenhum agente. A ausência da STRANS foi tão marcante que quase virou atração cultural paralela. Ao não disciplinar nem coibir os infratores de sempre, o órgão municipal acabou reforçando o velho costume: quem descumpre a lei segue confortável, enquanto cobra direitos como se deveres fossem opcionais.
Vale lembrar que as leis de trânsito não surgiram por capricho. Foram criadas com base em dados, técnica e, sobretudo, no respeito à vida. Em uma cidade que cresce e exige mais mobilidade e atenção, a omissão não é neutra: ela incentiva o caos e naturaliza o desrespeito.
Eventos como o da Praça Pedro II também abrem oportunidades econômicas. Estacionamentos privados no entorno poderiam ter funcionado a preços acessíveis, gerando renda, organizando o fluxo e colaborando com a ocupação inteligente do Centro. Mas, para isso, seria preciso que as regras valessem para todos.
Calçadas e praças não são extensões de garagem. São espaços públicos, feitos para pessoas: para o convívio, a circulação segura, o lazer, a cultura e a cidade que se quer viva. A cultura fez sua parte. Falta saber quando o trânsito — e a STRANS — decidirão fazer a deles.
