Vaca Atolada faz 35 anos e prova que tradição boa não sai do bloco
Na Matinha, a festa reúne gerações, aquece a economia e arrasta multidões
RedaçãoSe tem uma “vaca” que ninguém quer desatolar, é essa. O tradicional bloco Vaca Atolada comemorou 35 anos nesta segunda-feira (16) arrastando milhares de foliões pelas ruas da zona Norte de Teresina, especialmente no bairro Matinha — onde o Carnaval tem endereço certo, memória afetiva e muito glitter.
Fundado em 1991 por Daniel Borges, o bloco virou patrimônio sentimental da comunidade e ponto obrigatório no calendário carnavalesco da capital. Ao longo de três décadas e meia, a festa cresceu, ganhou fama e hoje atrai moradores de várias zonas da cidade e até visitantes de municípios vizinhos.
Segundo Daniel, o Vaca Atolada não é só folia: é também motor da economia local. “Atrai pessoas de todos os cantos, que vêm consumir o que os moradores vendem e conhecer nossa cultura. Hoje é um espetáculo do Piauí e de Teresina”, afirmou, orgulhoso, enquanto a multidão já tomava conta das ruas.
E não é exagero. Barracas cheias, comércio aquecido e muita gente fantasiada mostram que a “vaca” movimenta muito mais do que marchinhas — movimenta renda, reencontros e boas histórias.
Entre os foliões, a animação era contagiante. A moradora Rosângela Chaves fez propaganda ao vivo: “Venham participar! É um dos melhores blocos de Teresina. Ainda dá tempo!”, convocou, no melhor estilo carnavalesco.
Ela destaca um dos segredos da longevidade do bloco: o clima familiar. “Sou do bairro e é muito bom aqui. Já é tradição nossa”, contou.
A professora aposentada Amparo, também da Matinha, reforça esse sentimento. Para ela, o Vaca Atolada é memória viva. Todos os anos, cerca de 30 familiares se reúnem para assistir ao desfile da porta de casa — especialmente por causa do sobrinho, uma pessoa com deficiência, que espera o Carnaval o ano inteiro. “Ele fica ansioso. É uma alegria para todos nós”, disse.
Ao completar 35 anos, o Vaca Atolada mostra que tradição boa é aquela que atravessa gerações, inclui todo mundo e ainda faz a economia sorrir. Entre marchinhas, fantasias e abraços na calçada, o bloco segue firme — atolado na história e no coração da Matinha.