Trump ameaça Brasil com novo tarifaço e amplia pressão sobre soberania nacional

Governo Lula reage a ofensiva dos EUA enquanto bolsonaristas são acusados de alimentar crise econômica
Redação

O governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, concluiu a investigação comercial contra o Brasil e propôs um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros. A medida, conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), reforça a escalada de pressão política e econômica da gestão republicana sobre o governo brasileiro e reacende críticas sobre tentativas de interferência na soberania nacional.

Foto: Alex Wong - 15.mai.26/Getty Images via AFP
Trump e o chefe do Escritório do Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer

A decisão final ainda depende de Trump, mas o USTR já abriu consulta pública para ouvir setores privados americanos antes da publicação do relatório definitivo, prevista para julho. O movimento ocorre em meio ao endurecimento do discurso americano contra o Brasil e após recentes declarações e ações ligadas à classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelos EUA.

Apesar do discurso de defesa comercial, a ofensiva americana tem sido vista por integrantes do governo brasileiro como mais um capítulo da utilização política da economia internacional para pressionar o Brasil. O processo teve início ainda em 2025, quando Trump alegou existir uma suposta “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

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Enquanto o governo americano amplia ataques diplomáticos e comerciais, aliados bolsonaristas seguem atuando nos bastidores internacionais em defesa de medidas que podem gerar prejuízos à economia brasileira, atingindo empresas, empregos e exportações nacionais.

O pacote sugerido pelo USTR prevê tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros, embora tenha poupado setores considerados estratégicos para os próprios Estados Unidos, como aeronaves, motores, peças da indústria aérea, alimentos e produtos agropecuários.

Entre os itens preservados estão carne bovina, castanhas, frutas tropicais, coco, manga, banana, mamão, limão e laranja. A exclusão desses produtos evidencia que o próprio governo americano teme impactos inflacionários e problemas de abastecimento interno caso amplie excessivamente as sanções.

O relatório americano também faz críticas ao sistema judiciário brasileiro, às decisões contra plataformas digitais, ao Pix e até às políticas nacionais de pagamento eletrônico, em mais um movimento interpretado como tentativa de pressionar instituições brasileiras e enfraquecer mecanismos criados pelo próprio país.

Além disso, os EUA acusam o Brasil de conceder vantagens comerciais a países como Índia e México, questionam políticas de combate à corrupção e alegam falhas na proteção à propriedade intelectual.

Mesmo diante da ofensiva, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém diálogo diplomático com Washington e reforça a defesa da soberania econômica nacional. Integrantes do Palácio do Planalto avaliam que o Brasil não pode aceitar imposições externas sobre temas internos, sobretudo quando há interesses políticos e eleitorais envolvidos.

Nos bastidores, interlocutores do governo brasileiro também observam com preocupação o alinhamento de setores bolsonaristas com medidas que podem afetar diretamente a indústria nacional, o agronegócio, as exportações e a geração de empregos no país.

A nova investida de Trump ainda será debatida em audiências públicas nos Estados Unidos antes da decisão definitiva. Até lá, o governo brasileiro deve intensificar negociações diplomáticas e buscar alternativas para proteger a economia nacional diante de mais um episódio de tensão comercial internacional.

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