Piauí lidera mortes de motociclistas no Brasil, aponta Atlas da Violência
Estado registrou 1.162 mortes no trânsito em 2024; 72% envolveram motocicletas
RedaçãoO Piauí lidera o ranking nacional de mortes envolvendo motociclistas, segundo dados do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26). O levantamento aponta que, das 1.162 mortes no trânsito registradas no estado em 2024, 72,7% tiveram motocicletas como principal veículo envolvido.
O percentual é o maior do país e supera com ampla margem a média nacional, que ficou em 41,6%. O estudo reforça a preocupação com o avanço da violência no trânsito e o crescimento da utilização de motocicletas como principal meio de transporte, especialmente entre populações de menor renda.
De acordo com o Atlas da Violência, as motocicletas passaram a ocupar papel central nas estatísticas de mortalidade nas vias brasileiras nas últimas duas décadas. No início dos anos 2000, esse tipo de veículo representava menos de 5% das mortes no trânsito. Atualmente, responde por mais de 40% dos óbitos em nível nacional.
“O crescimento recente rompe com o patamar de estabilidade que vinha sendo mantido na segunda metade da década anterior”, destacou o relatório, ao apontar a necessidade urgente de reavaliação das políticas de segurança viária e mobilidade urbana.
O estudo também relaciona o aumento das mortes ao crescimento acelerado do uso de motocicletas após a pandemia, impulsionado principalmente pela expansão dos aplicativos de transporte e entrega, além da deficiência no transporte público em várias regiões do país.
No Piauí, o número de mortes no trânsito registrado em 2024 foi o maior desde 2015. Em 2023, o estado contabilizou 1.001 óbitos, enquanto em 2022 foram registrados 870 casos, demonstrando avanço contínuo da violência nas vias.
O Atlas aponta ainda que as regiões Norte e Nordeste concentraram os maiores aumentos de mortes no trânsito no país, resultado associado à combinação entre maior circulação de motocicletas, deficiência em infraestrutura viária, baixa fiscalização e necessidade de fortalecimento das ações de educação no trânsito.
No cenário nacional, o Brasil registrou 37.150 mortes no trânsito em 2024, quase 5 mil a mais do que em 2019, período anterior à pandemia.
Segundo o documento, apesar de o país ter reduzido em 20,1% a taxa de mortes no trânsito entre 2014 e 2024, a tendência de queda foi interrompida nos últimos anos, especialmente com o aumento expressivo da participação das motocicletas nos acidentes fatais.
O estudo alerta que a reversão desse cenário depende de investimentos em fiscalização, melhoria da infraestrutura urbana, educação no trânsito e políticas públicas voltadas à segurança viária, sobretudo para os motociclistas, considerados atualmente as principais vítimas da violência no trânsito brasileiro.