Temporal castiga Zona da Mata mineira e deixa mortos desaparecidos e cidades em calamidade
Juiz de Fora concentra maior número de vítimas enquanto equipes de resgate correm contra o tempo em meio a novos alertas de chuva
RedaçãoA chuva resolveu testar os limites da Zona da Mata de Minas Gerais e o resultado tem sido devastador. Desde a noite de segunda feira, pelo menos 23 pessoas morreram e 47 seguem desaparecidas na região, segundo dados atualizados dos bombeiros e das prefeituras locais.
O município mais atingido é Juiz de Fora, que já contabiliza 16 mortes e 43 desaparecidos. A cidade decretou estado de calamidade pública ainda na madrugada, medida posteriormente reconhecida pelo governo federal para acelerar a liberação de recursos. Mais de 440 pessoas estão desabrigadas e foram encaminhadas para abrigos provisórios organizados pela prefeitura.
Em Ubá, a 111 quilômetros dali, o cenário também é crítico. O município registrou sete mortes e quatro desaparecidos após um volume de chuva que chegou a cerca de 170 milímetros em aproximadamente três horas e meia. O nível do rio Ubá subiu de forma expressiva, provocando inundações em áreas urbanas, danificando pontes e afetando bairros inteiros.
Em Juiz de Fora, os estragos incluem soterramentos de imóveis, deslizamentos de encostas e bairros isolados pela água. No bairro Parque Jardim Burnier, uma encosta deslizou e atingiu diversas casas. Houve ainda registros de desabamentos em diferentes pontos da cidade, além de quedas de árvores e interdições de vias importantes. O rio Paraibuna transbordou, e estruturas como a ponte Vermelha e o túnel Mergulhão precisaram ser interditadas.
O Corpo de Bombeiros mobilizou mais de uma centena de militares de várias regiões do estado para atuar nas buscas por sobreviventes e no resgate de vítimas. A Defesa Civil também registra centenas de ocorrências relacionadas à chuva. Enquanto isso, moradores recorrem às redes sociais para pedir ajuda, relatar desaparecimentos e compartilhar imagens que mostram ruas transformadas em rios e casas parcialmente destruídas.
A prefeita Margarida Salomão classificou o momento como extremo e suspendeu as aulas na rede municipal, além de adotar trabalho remoto para parte dos servidores. Já o governador Romeu Zema decretou luto oficial de três dias no estado e deve visitar as áreas atingidas. O ministro Waldez Góes informou que equipes da Defesa Civil Nacional estão a caminho para reforçar as ações locais.
Como se o cenário já não fosse suficiente, a Defesa Civil estadual alerta para a possibilidade de novas chuvas intensas com a chegada de outra frente fria, especialmente na Zona da Mata e no sul de Minas. Juiz de Fora, que já enfrenta o fevereiro mais chuvoso de sua história recente, acumula índices muito acima da média esperada para o mês.
O decreto de calamidade pública tem validade de 180 dias e permite agilizar contratações e repasses de recursos. Enquanto autoridades organizam medidas emergenciais, a prioridade segue sendo salvar vidas e oferecer abrigo a quem perdeu quase tudo. A natureza, mais uma vez, mostrou que não precisa de convite para mudar completamente a rotina de uma região inteira.