Congressistas pressionam para limitar poderes de guerra de Trump

Parlamentares questionam legalidade de ataques ao Irã e cobram autorização formal do Congresso
Redação

Parlamentares dos Estados Unidos articulam uma nova tentativa de votação para restringir os poderes de guerra do presidente Donald Trump após os recentes ataques coordenados com Israel contra o Irã.

O movimento ocorre um dia depois da ofensiva que resultou na morte do líder supremo iraniano. Democratas e parte dos republicanos defendem a retomada da chamada Resolução de Poderes de Guerra, mecanismo que exige autorização do Congresso para ações militares prolongadas.

Foto: Amid Farahi - 28.fev.26/AFP
Manifestantes marcham em Washington, em apoio à ação dos EUA e de Israel contra o Irã

Tentativa semelhante já havia sido feita no início do ano, quando Washington realizou operação na Venezuela que culminou na captura de Nicolás Maduro. O texto chegou a ser aprovado no Senado, mas acabou rejeitado na Câmara.

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Agora, congressistas voltam a questionar a legalidade da ofensiva no Irã. O senador Bernie Sanders classificou a guerra como inconstitucional e afirmou que o Congresso deve retomar seu papel central na autorização de conflitos. A proposta é liderada pelos deputados Ro Khanna e Thomas Massie, que defendem votação imediata.

A deputada Alexandria Ocasio Cortez também criticou a decisão do Executivo, argumentando que a Constituição é clara ao atribuir ao Congresso a competência para declarar guerra. Segundo ela, a ofensiva ocorreu em momento em que havia possibilidade de negociação diplomática.

Entre republicanos aliados ao presidente, o tom foi diferente. O senador Lindsey Graham elogiou a operação e defendeu que o objetivo estratégico foi alcançado. Já o senador Markwayne Mullin manifestou apoio, embora tenha gerado controvérsia ao comentar aspectos institucionais do regime iraniano.

A Casa Branca informou que integrantes do alto escalão, como o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário de Defesa Pete Hegseth e o diretor da CIA John Ratcliffe, apresentarão esclarecimentos ao Congresso.

Foto: Reprodução
Líder Supremo iraniano Ali Khamenei morto em bombardeio

Trump declarou que a ofensiva poderá durar até quatro semanas e reiterou que os Estados Unidos não permitirão avanços iranianos em armamentos estratégicos. Enquanto discursos de força seguem dominando o cenário, cresce no Legislativo o debate sobre limites constitucionais e responsabilidades institucionais.

Em meio a declarações contundentes e promessas de vitória, permanece a questão central levantada por parlamentares: quem deve decidir quando uma nação entra em guerra e quais são os custos dessa decisão.

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