Ucrânia mantém embaixada sem titular no Brasil e reforça interesse em ampliar diálogo diplomático

Governo ucraniano afirma que escolha de novo embaixador segue em análise e destaca importância da relação com o Brasil
Redação

O governo da Ucrânia informou, nesta terça-feira (21), que ainda não definiu o nome do novo embaixador que representará o país no Brasil. O cargo está vago desde abril de 2025, quando o então embaixador Andrii Melnyk foi nomeado pelo presidente Volodymyr Zelensky para atuar como representante permanente da Ucrânia junto à Organização das Nações Unidas (ONU).

Foto: Reprodução | Toby Melville - WPA/Getty Images
Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia

Em entrevista coletiva virtual concedida a jornalistas da América Latina e do Caribe, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia, Heorhii Tykhyi, afirmou que o processo de escolha continua em andamento, mas não informou prazos nem revelou possíveis candidatos.

Segundo o diplomata, a demora na nomeação está relacionada à relevância estratégica da relação bilateral entre os dois países.

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"O Brasil é uma grande potência e um parceiro muito importante para a Ucrânia. Esperamos ter um embaixador forte no país o mais breve possível", declarou.

Embaixada segue funcionando

Enquanto a nomeação não é concluída, a Embaixada da Ucrânia em Brasília permanece sob a responsabilidade do encarregado de negócios, Oleg Vlasenko.

De acordo com Tykhyi, a representação diplomática continua funcionando normalmente e mantém as atividades institucionais e o diálogo com autoridades brasileiras.

O Brasil, por sua vez, mantém Rafael de Mello Vidal como embaixador em Kiev desde outubro de 2024. Na ocasião da entrega das credenciais diplomáticas, o presidente Volodymyr Zelensky manifestou interesse em fortalecer o diálogo com o governo brasileiro sobre iniciativas voltadas para uma solução diplomática do conflito entre Ucrânia e Rússia.

Relação entre os governos passa por reaproximação

A definição do novo embaixador ocorre em um momento de reaproximação entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Volodymyr Zelensky, após um período marcado por divergências públicas sobre propostas para o encerramento da guerra.

Nos últimos meses, representantes dos dois países retomaram os contatos diplomáticos. Em junho deste ano, Lula e Zelensky se reuniram durante a cúpula do G7, oportunidade em que discutiram possibilidades de ampliar o diálogo e apoiar iniciativas voltadas à construção de uma solução negociada para o conflito.

Segundo o porta-voz da diplomacia ucraniana, os esforços pela paz continuam sendo prioridade nas conversações entre os dois governos.

Ucrânia pede apoio à defesa de um cessar-fogo

Durante a entrevista, Heorhii Tykhyi também afirmou que a Ucrânia considera importante que o presidente brasileiro continue defendendo publicamente um cessar-fogo incondicional como etapa inicial para futuras negociações de paz.

O porta-voz destacou que Kiev reconhece a posição de neutralidade adotada pelo Brasil, mas avalia que a defesa do respeito à soberania, à integridade territorial e aos princípios da Carta das Nações Unidas pode contribuir para o avanço das tratativas diplomáticas.

Segundo a diplomacia ucraniana, o diálogo com o Brasil permanece aberto e deverá continuar sendo uma das prioridades da política externa do país na América Latina.

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