Delegada transforma dor em força e alerta sobre violência contra mulheres
Após perder os filhos, Amanda Souza compartilha história para apoiar outras vítimas
RedaçãoA delegada Amanda Souza, da Polícia Civil do Pará, decidiu transformar uma das experiências mais difíceis de sua vida em um chamado à conscientização. Ao relembrar a perda dos dois filhos em julho de 2023, ela reforça a importância de reconhecer os sinais de relacionamentos abusivos e combater a chamada violência vicária, quando o agressor atinge os filhos para provocar sofrimento emocional na mulher.
Amanda conta que encerrou o relacionamento após perceber comportamentos cada vez mais controladores e ciumentos. Meses depois, recebeu uma mensagem do ex companheiro dizendo que seu futuro seria de tristeza e solidão. No mesmo dia, ele tirou a vida das duas crianças.
Ao comentar um caso semelhante ocorrido recentemente em Itumbiara, envolvendo o então secretário municipal Thales Machado, Amanda relatou que reviveu sentimentos intensos ao acompanhar as notícias. Ela também manifestou preocupação com comentários nas redes sociais que culpavam a mãe das crianças pela tragédia.
Para a delegada, responsabilizar a mulher pela violência praticada pelo agressor revela falta de empatia e perpetua uma cultura machista que ainda precisa ser enfrentada. Ela destaca que esse tipo de atitude desvia o foco do verdadeiro autor do crime e aprofunda o sofrimento de quem já foi vítima.
Atualmente com 43 anos, Amanda atua na Unidade de Recuperação de Dispositivos Móveis, em Belém. Ao compartilhar sua trajetória, ela busca incentivar outras mulheres a identificarem sinais de abuso e a procurarem apoio. Segundo ela, o autoconhecimento é o primeiro passo para romper ciclos de violência.
A delegada também ressalta a importância da independência financeira como estratégia de fortalecimento. Para muitas mulheres, a dependência econômica dificulta a saída de relações abusivas. Por isso, ela defende que informação, planejamento e rede de apoio são fundamentais.
Com o objetivo de aprofundar o tema, Amanda planeja desenvolver estudos acadêmicos sobre violência vicária. Sua meta é ampliar o debate e contribuir para que mais mulheres reconheçam padrões abusivos e encontrem caminhos seguros para reconstruir suas vidas.