Dino manda investigar emendas ligadas a filme sobre Bolsonaro

STF abre apuração sobre recursos públicos enquanto aliados negam ligação com produção
Redação

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de uma apuração preliminar e sigilosa para investigar a destinação de emendas parlamentares a projetos ligados à produtora do filme Dark Horse (“Azarão”), obra que retrata o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Foto: Pedro Ladeira
Ministro Flávio Dino em sessão do STF

A investigação ocorre após surgirem questionamentos sobre possíveis irregularidades no uso de recursos públicos que, em tese, poderiam ter favorecido a produção do longa. O caso ganhou repercussão após a divulgação de áudios em que o senador Flávio Bolsonaro pede recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para concluir o filme.

A obra acabou se transformando em um imprevisto capítulo político — daqueles que costumam exigir explicações extras — para a pré-candidatura presidencial do senador.

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A investigação no STF foi motivada por uma representação apresentada em março por parlamentares da base governista, que solicitaram apuração sobre possíveis desvios na aplicação de emendas parlamentares destinadas a organizações e projetos culturais.

Após a repercussão do caso envolvendo o senador, a deputada Tabata Amaral acrescentou novos elementos à denúncia, citando condutas do deputado Mario Frias que, segundo ela, poderiam se enquadrar na mesma suspeita de irregularidades.

Frias é apontado como possível intermediário em tratativas envolvendo Vorcaro. O deputado, no entanto, afirma que os recursos não têm relação com o filme e que foram destinados a “projetos sociais devidamente estruturados e supervisionados por órgãos federais”.

Também estão sob análise emendas apresentadas pela deputada Bia Kicis e pelo deputado Marcos Pollon. Os três parlamentares já foram intimados pelo ministro para apresentar esclarecimentos formais.

De acordo com a representação, a produtora Go Up mantém ligações com uma rede de projetos que já receberam emendas de parlamentares do PL e também firmaram contrato com a prefeitura de São Paulo durante a gestão do prefeito Ricardo Nunes.

As suspeitas contrastam com declarações públicas de Flávio Bolsonaro, que afirmou que o filme sobre a trajetória política do pai teria sido produzido com “zero dinheiro público”.

Para os autores da denúncia, entre eles o deputado Pastor Henrique Vieira, pode ter ocorrido desvio de finalidade e descumprimento das regras de transparência determinadas pelo STF para a execução de emendas parlamentares.

A assessoria de Marcos Pollon informou que a emenda apresentada pelo deputado, no valor de R$ 1 milhão, foi posteriormente redirecionada para uma instituição oncológica, negando qualquer vínculo com a produção cinematográfica.

Já Bia Kicis afirmou que os R$ 150 mil destinados por ela foram aplicados em um projeto cultural e educativo voltado à valorização da história nacional e ao fortalecimento da economia criativa.

Enquanto as versões se acumulam, caberá agora à investigação conduzida no STF esclarecer se os recursos públicos seguiram, de fato, o roteiro correto ou se a história por trás do filme ainda guarda capítulos que precisam ser revelados.

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