Senado dá recado, mas método escancara velha política

Rejeição de indicado ao STF expõe jogo de poder e interesses nos bastidores

A recente rejeição de Messias pelo Senado foi celebrada por uns e lamentada por outros. No meio disso tudo, o que se viu foi menos um debate sobre critérios técnicos e mais um espetáculo típico da política brasileira, daqueles em que o roteiro já parece conhecido, mas ainda assim surpreende.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não escondeu sua posição desde o início. Marcou a sabatina com um objetivo claro, quase didático: derrubar o nome indicado. Tudo isso embalado pela expectativa de um acordo que, ao que parece, ficou só na expectativa. O desejo de ver Rodrigo Pacheco no Supremo Tribunal Federal não avançou, e a insatisfação virou combustível político.

Foto: Evaristo Sá/AFP
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre

Nos corredores, o discurso era de reação institucional ao Supremo, que atravessa um momento delicado perante a opinião pública. Na prática, porém, o enredo ganhou contornos mais pragmáticos: disputas de influência, insatisfações pessoais e um jogo de forças onde cada movimento vale mais pelo impacto político do que pelo mérito em si.

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Do lado do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a derrota tem peso. Não apenas pelo resultado em si, mas pelo recado implícito em ano eleitoral: articulação importa, e muito. Ignorar sinais do Congresso pode custar caro como ficou evidente.

No fim, a oposição sozinha não teria força para barrar a indicação. O desfecho só foi possível com adesões além do esperado, o que reforça a ideia de que, em Brasília, alinhamentos são, no mínimo, circunstanciais.

Foto: Reprodução | Breno Esaki/Metrópoles
O advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado para o STF

Fica então a reflexão: mais do que uma decisão sobre um nome para o STF, o episódio revela como ainda se decide muito com base em conveniência e poder. Quanto ao critério técnico, esse segue sendo citado ainda que nem sempre priorizado.

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