Morre suspeito de integrar grupo ligado a Vorcaro após investigação da PF
Apontado como operador de rede de intimidação, “Sicário” teve morte confirmada após prisão
RedaçãoA defesa de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, de 43 anos, confirmou na noite desta sexta feira a morte do investigado conhecido pelo apelido de “Sicário”, apontado pela Polícia Federal como integrante de um grupo associado ao ex banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo comunicado divulgado pelos advogados, o óbito foi declarado às 18h55 após a conclusão do protocolo médico de morte encefálica iniciado na manhã do mesmo dia. O corpo será encaminhado ao Instituto Médico Legal, seguindo os procedimentos previstos na legislação.
Mourão havia sido preso na quarta feira durante uma nova fase da Operação Compliance Zero. De acordo com as investigações da Polícia Federal, ele atuaria como operador central de um grupo chamado “A Turma”, responsável por obter informações e monitorar pessoas consideradas de interesse para o empresário.
A própria polícia informou que Mourão tentou tirar a própria vida dentro de uma cela na Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais. Ele foi socorrido e levado ao hospital, onde permaneceu internado até a confirmação da morte.
Segundo os investigadores, mensagens analisadas pela polícia indicariam conversas entre Mourão e Vorcaro envolvendo planos para intimidar adversários, incluindo discussões sobre a possibilidade de um assalto contra o jornalista Lauro Jardim. A PF também atribui ao investigado participação em ações de ameaça e agressões contra desafetos.
Nos relatórios policiais, Mourão aparece como responsável por executar essas atividades e por acessar bases de dados restritas de órgãos públicos nacionais e internacionais, algo que naturalmente chama a atenção das autoridades quando surge em uma investigação criminal.
Em Minas Gerais, onde também era conhecido pelo apelido de “Mexerica”, Mourão acumulava histórico policial com registros por furto qualificado, estelionato, associação criminosa, falsificação de documento público, organização criminosa e crimes contra a economia popular, segundo relatos de policiais ouvidos pela imprensa.
Apesar desse histórico, investigadores mineiros descreviam seu perfil mais próximo ao de um golpista especializado em fraudes financeiras, distante da imagem mais agressiva apresentada nos relatórios que fundamentaram sua prisão na investigação envolvendo o Banco Master.
Entre as atividades atribuídas a ele estão práticas de agiotagem, esquemas de pirâmide financeira e fraudes envolvendo compra e venda de veículos usados. Há ainda indícios de ligação com organizações criminosas relacionadas a jogos ilegais e apostas clandestinas.
Além disso, o investigado era réu desde 2021 em processo que tramita na 5ª Vara Criminal de Belo Horizonte, acusado de crimes contra a economia popular, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo o Ministério Público, ele teria atuado como um dos articuladores de um esquema de pirâmide financeira iniciado em 2017, com promessas de lucros elevados para atrair investidores.
Outras dez pessoas também foram denunciadas no mesmo processo, incluindo familiares do investigado. O caso ainda não havia sido julgado.
No dia da prisão, a defesa afirmou que as acusações não correspondiam à realidade e que os fatos seriam esclarecidos após acesso integral aos autos da investigação.
Agora, com a morte do investigado confirmada, parte das respostas que a Justiça buscava terá de ser reconstruída a partir das provas já reunidas. No mundo jurídico, no entanto, uma regra continua válida e bastante conhecida. Quando surgem suspeitas de crime, quem conduz o roteiro final é sempre a investigação e o devido processo legal.