Mulher com medida protetiva é morta em Oeiras; filho havia pedido ao pai que desistisse das ameaças
Suspeito foi preso, confessou o crime e responderá por feminicídio; vítima era mãe de três filhos
RedaçãoUm feminicídio registrado na zona rural de Oeiras, a 313 quilômetros de Teresina, voltou a chamar atenção para a violência contra a mulher e para os desafios na prevenção desse tipo de crime. A aposentada Rita Vieira, de 60 anos, foi morta com um golpe de faca no pescoço na manhã da última terça-feira (30), no povoado Riacho Fundo. O principal suspeito é o ex-marido, Edimilson José, preso cerca de seis horas depois do crime.
Segundo familiares, Rita e o suspeito estavam separados, mas ele não aceitava o fim do relacionamento. A vítima possuía uma medida protetiva em vigor contra o ex-companheiro.
De acordo com relatos de parentes, no domingo anterior ao crime, um dos filhos do casal, já maior de idade, chegou a conversar com o pai após tomar conhecimento das ameaças feitas contra a mãe.
"O filho pediu que ele tirasse essa ideia da cabeça e não fizesse mal à mãe, mas, infelizmente, ele não ouviu e acabou cometendo o crime", relatou uma familiar.
Ainda conforme os familiares, o suspeito teria entrado na residência pelos fundos e surpreendido Rita enquanto ela preparava o café da manhã. Após a agressão, a vítima ainda tentou caminhar por alguns cômodos da casa, mas não resistiu aos ferimentos.
A irmã de Rita foi a primeira pessoa a encontrar o corpo. Estranhando a ausência da aposentada para uma consulta médica marcada naquele dia, ela foi até a residência e encontrou vestígios de sangue e a vítima caída no chão da sala.
Rita Vieira era aposentada, mãe de três filhos e morava sozinha no povoado Riacho Fundo, localizado a aproximadamente 22 quilômetros da sede de Oeiras.
O delegado Luciano Santana informou que, diante da existência da medida protetiva e das informações levantadas durante a investigação, as diligências se concentraram rapidamente no ex-marido da vítima.
"Ele confessou o crime. Como já existia uma medida protetiva em vigor e testemunhas o viram nas proximidades da residência na manhã do crime, as equipes realizaram diligências até localizá-lo", afirmou o delegado.
O investigado permanece preso e deverá responder pelo crime de feminicídio.
Violência que destrói famílias
O caso evidencia mais uma vez as consequências devastadoras da violência motivada pela incapacidade de aceitar o fim de um relacionamento. A intolerância, o sentimento de posse e o desprezo pela vida transformam conflitos pessoais em tragédias familiares, deixando marcas irreparáveis em filhos, parentes e toda a comunidade.
Além da responsabilização criminal dos autores, especialistas reforçam a importância de denunciar ameaças, fortalecer a rede de proteção às mulheres e ampliar ações de conscientização para combater a violência doméstica antes que ela resulte em mais vidas interrompidas.