“Vem me buscar” atendido: acusada do golpe Boa Noite, Cinderela é presa no Rio

Ostentação nas redes terminou em cela e encontro com a Justiça
Redação

A frase era provocação, mas virou realidade. Uma mulher acusada de aplicar o golpe conhecido como “Boa Noite, Cinderela” foi presa no Complexo do Chapadão, na zona norte do Rio de Janeiro. Raiane Campos, de 28 anos, procurada pela Justiça, acabou “buscada” por equipes da Delegacia de Atendimento ao Turista, que já monitoravam sua presença na comunidade.

Raiane é acusada, junto com outras duas mulheres, de dopar dois turistas ingleses em agosto do ano passado. A polícia aproveitou a movimentação de outras operações na região para surpreender a suspeita, que tinha contra si um novo mandado de prisão recentemente expedido.

Foto: Polícia do RJ
Raiane Campos de Oliveira, apontada como chefe de bando que dopou e roubou turistas em Ipanema, é presa no Complexo do Chapadão

Nas redes sociais, Raiane gostava de exibir dinheiro e uma vida de luxo — segundo as investigações, financiada pelos golpes. Com muitos seguidores, também passou a divulgar plataformas de apostas online, misturando ostentação com crime, até que o roteiro mudou.

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Uma postagem chamou atenção especial dos investigadores: em um baile na comunidade, após a expedição do novo mandado, ela escreveu “Vem me buscar”. A Justiça levou a sério.

De acordo com a polícia, Raiane seria chefe de uma quadrilha especializada no golpe “Boa Noite, Cinderela”, que consiste em dopar vítimas para roubá-las. Um vídeo analisado pelos agentes mostra uma das vítimas caminhando desorientada na praia de Ipanema antes de cair na areia, já sob efeito da substância.

Segundo a delegada Patrícia Alemany, a escolha das vítimas não era aleatória. “Eles selecionam estrangeiros e colocam uma medicação na bebida para que a pessoa desmaie”, explicou. Cartões bancários, celulares e outros pertences foram levados, com prejuízo estimado em R$ 15 mil.

Apesar de negar participação, a polícia obteve uma imagem comprometedora: Raiane teria tentado transferir 16 mil libras da conta de uma das vítimas usando reconhecimento facial. A transação falhou, mas o registro ficou — e ajudou a contar outra versão da história.

O currículo criminal também pesa. Segundo a Polícia Civil, Raiane acumula 25 passagens, sendo 13 pelo mesmo tipo de golpe. Estava em liberdade havia cerca de um mês quando o crime contra os turistas britânicos ocorreu. As outras duas envolvidas já foram presas.

Agora, a polícia investiga a possível participação de mais integrantes da quadrilha e aguarda informações de bancos estrangeiros. Enquanto isso, a ostentação digital dá lugar ao velho e conhecido cenário: a conta que finalmente chegou foi a da Justiça.

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