Centrão adota cautela sobre aliança com Flávio Bolsonaro após divulgação de áudios

Lideranças aguardam pesquisas e possíveis novos desdobramentos antes de definir apoio
Redação

Lideranças do chamado centrão passaram a adotar uma postura mais cautelosa em relação a uma possível aliança com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a divulgação de áudios que indicam proximidade do parlamentar com o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.

Nos bastidores, dirigentes de partidos como União Brasil, Partido Progressistas (PP) e Republicanos avaliam que o momento é de aguardar novos levantamentos eleitorais e possíveis desdobramentos do caso antes de decidir sobre uma coalizão formal.

Foto: Reuters
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República

Segundo relatos de integrantes dessas legendas, há consenso de que a divulgação dos áudios pode gerar desgaste político para o senador, embora ainda exista incerteza sobre o impacto do episódio nas pesquisas de intenção de voto.

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Até recentemente, uma ala expressiva do centrão mantinha negociações avançadas com o parlamentar do Partido Liberal (PL). A federação entre União Brasil e PP, por exemplo, discutia a possibilidade de uma aliança nacional com o senador, com liberdade para acordos regionais em estados onde o apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fosse considerado mais vantajoso.

No Republicanos, diretórios regionais também pressionavam por apoio ao senador, embora interlocutores reconheçam que o diálogo dentro da legenda enfrenta mais obstáculos.

Dentro do próprio PL, aliados relatam que a divulgação dos áudios provocou desconforto político. Integrantes próximos ao senador afirmam que ele havia assegurado anteriormente que não haveria novos elementos relacionados ao chamado caso Master.

Os áudios, revelados pelo site The Intercept Brasil e confirmados pelo jornal Folha de S.Paulo, indicariam que Flávio Bolsonaro solicitou recursos a Vorcaro para apoiar a produção do filme Dark Horse (“Azarão”), que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com as informações divulgadas, Vorcaro teria contribuído com R$ 61 milhões para a produção cinematográfica. Após a repercussão, o senador afirmou a aliados que não haveria novos conteúdos a serem divulgados sobre o tema.

A produtora responsável pelo filme, Go Up Entertainment, declarou que não recebeu recursos de Vorcaro para o projeto. Já o deputado Mario Frias (PL-SP), produtor executivo da obra, afirmou que Flávio Bolsonaro não possui participação societária na produtora nem no filme.

Enquanto o cenário político segue em avaliação, lideranças do centrão indicam que a decisão sobre alianças eleitorais dependerá da evolução das pesquisas e do impacto do episódio no ambiente político nacional.

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