FMS e UFPI desenvolvem programa para enfrentar impactos do calor extremo na saúde em Teresina

Projeto tem duração de dois anos e busca estudar os efeitos das mudanças climáticas sobre a saúde da população
Redação

A Fundação Municipal de Saúde (FMS), em parceria com a Universidade Federal do Piauí (UFPI), participa da 13ª edição do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde: Clima), iniciativa do Ministério da Saúde que integra ensino, serviço e comunidade. O projeto, denominado “Calor Extremo e Saúde nos Ciclos de Vida em Teresina”, tem duração de dois anos e busca estudar os efeitos das mudanças climáticas sobre a saúde da população e desenvolver estratégias para reduzir esses impactos.

Foto: Reprodução | Ascom FMS
FMS e UFPI desenvolvem projeto para enfrentar impactos do calor extremo na saúde

O programa prevê, durante sua atuação na capital, o estudo das chamadas manchas de calor urbano e sua relação com problemas de saúde, considerando diferentes territórios e ciclos de vida. A proposta aponta que as áreas de maior exposição térmica se sobrepõem a territórios com maiores vulnerabilidades sociais e ambientais, além de reconhecer que as mudanças climáticas já produzem impactos sobre a saúde e exigem novas formas de organização dos serviços.

A presidente da FMS, Leopoldina Cipriano, afirma que o PET-Saúde: Clima aproxima a universidade da realidade do SUS. Segundo ela, as atividades serão realizadas em diferentes cenários da rede municipal, incluindo áreas da Atenção Básica e Especializada, Saúde da Mulher e Saúde do Idoso, Vigilância em Saúde, CIEVS, Vigilância Epidemiológica e Ambiental, Gerência de Zoonoses e Unidades Básicas de Saúde (UBSs) localizadas em áreas de maior vulnerabilidade térmica.

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O programa está estruturado em 5 Grupos de Aprendizagem Tutorial (GATs). Cada grupo é formado por 12 bolsistas, sendo um coordenador, um tutor, dois preceptores vinculados ao SUS/FMS e oito estudantes. No total, a proposta prevê 60 bolsistas, além de três orientadores de serviço. Haverá, ainda, a participação de 10 cursos da UFPI e os estudantes atuarão ao lado de docentes da universidade e profissionais da FMS, em cenários reais do SUS.

O médico da FMS Breno Noah revela que um dos diferenciais do programa é analisar como o calor afeta diferentes grupos da população.

"Entre os públicos prioritários estão gestantes, mulheres no climatério e idosos com risco de comprometimento renal. No climatério, por exemplo, o estudo observará a relação entre altas temperaturas e sintomas como fogachos, alterações do sono e possíveis repercussões cardiovasculares e na saúde mental", diz.

A vigilância em saúde também será um dos eixo do trabalho. Os grupos deverão mapear as manchas de calor de Teresina e relacioná-las a dados epidemiológicos e territoriais, para ajudar na identificação das áreas mais vulneráveis. Além disso, haverá monitoramento de vetores e zoonoses relacionados às condições climáticas. Dados meteorológicos, informações de vigilância entomológica e registros de casos poderão ser analisados de forma integrada.

Na área da assistência, serão elaborados, implementados e monitorados protocolos de cuidado sensíveis ao calor extremo: no pré-natal, na atenção às mulheres no climatério e na prevenção de lesão renal aguda e acompanhamento da saúde renal de idosos. A ideia é que os protocolos sejam construídos de forma interprofissional, envolvendo diferentes áreas da saúde.

O trabalho ainda pretende discutir alternativas relacionadas à arborização e à biodiversidade urbana como estratégias de mitigação do calor, além de mapear experiências desenvolvidas pelas próprias comunidades para enfrentar as altas temperaturas. "Queremos transformar o conhecimento produzido em ações concretas para proteger a população dos efeitos do calor extremo e fortalecer a capacidade de resposta da rede de saúde", finaliza Breno Noah.

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