CPI do Déficit Bilionário descarta rombo de R$ 3 bilhões e encontra superfaturamento — mas ninguém é responsável?
E a grande revelação é digna de novela. Para surpresa de absolutamente ninguém.CPI do Déficit Bilionário descarta rombo de R$ 3 bilhões e encontra superfaturamento — mas lembra que a legislatura passada estava ocupada demais para fiscalizar Dr. Pessoa e Robert Rios
Depois de muito suspense, reuniões, papéis e discursos inflamados, a CPI do Déficit Bilionário apresentou seu relatório final. E a grande revelação é digna de novela: o gigantesco rombo de R$ 3 bilhões anunciado pela atual gestão simplesmente… não existia. Era só um número dramático, daqueles que servem mais para manchete do que para contabilidade.
O vereador Dudu (PT), presidente da CPI, explicou que tudo aquilo que se dizia ser “rombo” nada mais era do que despesas normais, devidamente autenticadas pela própria gestão que entrou gritando “apocalipse fiscal”. Uma espécie de susto administrativo sem fundamento — um clássico.
Mas aí vem a parte realmente interessante: embora rombo não tenha, superfaturamento tem, e não é pouco. Terrenos comprados com valores que parecem ter sido calculados com a ajuda de um multiplicador mágico. O famoso terreno do Hospital da Mulher, por exemplo, escriturado por R$ 2 milhões e comprado por R$ 16 milhões — um detalhe irrelevante, claro, para quem gosta de números flexíveis.
Obras e asfaltamentos milionários nas "mãos" de poucos e envolvimento de empresas ligadas a políticos de mandato e por aí vai...
E diante desses “pequenos” desvios, surge a pergunta inevitável:
onde estava a fiscalização enquanto tudo isso acontecia?
Pois é. A resposta é tão constrangedora quanto previsível:
a legislatura passada estava tão ocupada que esqueceu de fiscalizar a Prefeitura. Talvez distraída, talvez acomodada, talvez só muito, muito paciente.
Porque, convenhamos, se tivesse feito o mínimo do mínimo, talvez a CPI nem fosse necessária agora. Talvez o superfaturamento tivesse sido questionado lá atrás. Talvez alguém tivesse se lembrado que existiam mecanismos legais — como impeachment — para responsabilizar gestores como Dr. Pessoa e Robert Rios, que comandavam justamente o período onde essas operações milionárias floresceram.
Mas não: na época, a Câmara preferiu assistir tudo de camarote. Nada de questionar, investigar, denunciar, apertar, incomodar… muito menos cogitar um impeachment. Afinal, para quê? Melhor deixar para resolver tudo depois — ou para não resolver nunca.
Resultado?
– O rombo não existe.
– O superfaturamento existe.
– Os beneficiados continuam sem nome.
– A legislatura passada finge que não era com ela e parte da atual também.
– Dr. Pessoa, Robert Rios, vários ex-secretários e ex-assessores passam intactos, como se fossem meros espectadores.
Vale lembrar que boa parte da atual legislatura fez parte direta ou indiretamente da gestão Pessoa e em breve veremos como se dará a votação que confirmará ou não o relatório "surpreendente" da CPI sem indiciados e transferindo essa possibilidade eventualmente para o Ministério Público e afins e com isso mais tempo perdido e indo tudo para o esquecimento ou para prateleira da impunidade.
E assim, Teresina conquista mais um capítulo da sua já tradicional saga:
descobrir problemas no presente, culpar o passado e não responsabilizar ninguém em nenhum dos dois.
O Revista40graus respeita as instituições mas não venda os olhos e muito menos tampa os ouvidos e estamos a disposição da boa sociedade sedenta por Justiça.
Fonte: Revista40graus
