Depois da “administração especial”, BC decreta liquidação do Will Bank
Banco digital do grupo Master não resistiu às dívidas e saiu do sistema financeiroO Banco Central decretou, nesta quarta-feira (21), a liquidação extrajudicial do Will Bank, banco digital controlado pelo grupo Master. A instituição estava desde novembro sob regime de administração especial temporária — uma espécie de “última chance” regulatória que, desta vez, não deu certo.
Quando o Banco Central liquidou o Banco Master, em 18 de novembro, o Will Bank foi poupado da mesma decisão sob a expectativa de que surgissem investidores interessados em assumir a operação. O prazo do regime especial poderia chegar a 120 dias, mas a solução aguardada não apareceu.
Segundo o BC, a situação se agravou quando o Will Bank deixou de honrar pagamentos a integrantes da cadeia de cartões de crédito, incluindo a bandeira Mastercard. Diante disso, o regulador concluiu que não havia mais como manter a instituição em funcionamento.
Em ato assinado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a liquidação foi justificada pelo “comprometimento da situação econômico-financeira”, pela insolvência do banco e pelo vínculo direto com o Banco Master, já em liquidação extrajudicial.
A liquidação é adotada quando o Banco Central entende que a recuperação da instituição é inviável. Nesse cenário, o funcionamento do banco é interrompido, ele é retirado do Sistema Financeiro Nacional e os bens dos controladores e ex-administradores ficam indisponíveis.
Antes mesmo da decisão oficial do BC, a Mastercard já havia suspendido a aceitação de transações realizadas com cartões emitidos pelo Will Bank, após operações feitas por consumidores não serem liquidadas corretamente. A medida teve como objetivo evitar o aumento das dívidas do banco junto ao arranjo de pagamentos.
Além disso, a bandeira executou garantias relacionadas a débitos do Will Bank e passou a deter participações relevantes em empresas como a varejista Westwing e o Banco de Brasília (BRB).
De acordo com o Banco Central, o conglomerado Master representava 0,57% do ativo total e 0,55% das captações do Sistema Financeiro Nacional. O termo legal da liquidação extrajudicial do Will Bank foi fixado em 24 de novembro de 2025.
Criado em 2017 e adquirido pelo grupo Master em 2024, o Will Bank fechou o primeiro semestre com R$ 14,4 bilhões em ativos, prejuízo de R$ 244,7 milhões e patrimônio líquido em torno de R$ 300 milhões. Em setembro, a instituição possuía R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo.
A expectativa frustrada de venda do banco pode ampliar as perdas do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que deverá indenizar até R$ 250 mil por investidor, em um total estimado de R$ 40,6 bilhões — a maior indenização já realizada pelo fundo.
O Banco Central informou que segue apurando responsabilidades e que o resultado das investigações pode levar à aplicação de sanções administrativas e a comunicações a outros órgãos competentes. Enquanto isso, o Will Bank se despede oficialmente do sistema financeiro, encerrando um capítulo que começou com esperança de recuperação e terminou em liquidação.
Fonte: Revista40graus, BC, mídias, redes sociais e colaboradores
