Boulos debate jornada de trabalho em praça pública em Teresina
Ministro defende fim da escala 6x1 e reforça debate democrático sobre direitos trabalhistasO ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, participou na tarde desta quarta feira de um debate público na Praça Rio Branco, no Centro de Teresina. O encontro reuniu trabalhadores, apoiadores e curiosos para discutir políticas do governo federal e, principalmente, a proposta de acabar com a escala de trabalho seis por um, aquela conhecida rotina em que o trabalhador passa seis dias no batente para conquistar um único dia de descanso.
Realizado em espaço aberto e com microfone disponível para quem quisesse falar, o evento seguiu o estilo clássico da democracia em praça pública. Segundo o ministro, a proposta da agenda é justamente aproximar as decisões do governo das pessoas que vivem os efeitos delas no dia a dia.
Durante o debate, Boulos destacou que o governo não tem receio de discutir temas sensíveis diretamente com a população e afirmou que o fim da escala seis por um tem sido uma das pautas defendidas na agenda trabalhista.
Segundo ele, caso a discussão no Congresso continue avançando em ritmo cauteloso, o governo pode encaminhar um projeto com regime de urgência. Nesse formato previsto pela legislação, a proposta teria prazo de até 45 dias para votação na Câmara dos Deputados e mais 45 dias no Senado, sob risco de trancar a pauta legislativa. Em outras palavras, o tipo de mecanismo institucional que lembra ao Parlamento que certas discussões também têm prazo de validade.
O ministro também reconheceu que há resistência de parte do setor empresarial e de segmentos da oposição, algo relativamente comum quando o assunto envolve mudanças nas regras do mundo do trabalho.
O ato contou ainda com a presença do deputado estadual Francisco Limma, do PT, único parlamentar piauiense com mandato presente no encontro. Ele destacou que discutir a jornada de trabalho é importante não apenas para o bem estar do trabalhador, mas também para refletir sobre novas formas de organização da economia.
Segundo o deputado, a modernização da indústria, o avanço tecnológico e o crescimento do trabalho remoto abrem espaço para repensar modelos tradicionais de jornada, inclusive como forma de ampliar oportunidades de emprego.
A população também participou do debate. A trabalhadora doméstica Célia Pereira, de 40 anos, que atua há cerca de uma década com carteira assinada, afirmou que uma eventual redução da jornada poderia trazer benefícios diretos para quem vive a rotina semanal de trabalho.
Ela destacou que atualmente trabalha de segunda a sábado e tem apenas o domingo para descanso, o que torna a possibilidade de mais tempo com a família um tema relevante.
Nem todos, porém, enxergam a proposta da mesma forma. O gerente de análise comercial Marcos Demóstenes, que está em Teresina há poucos dias e é natural de Goiânia, avaliou que a definição da jornada poderia ser resultado de acordos diretos entre empregados e empregadores.
Entre opiniões favoráveis, críticas e reflexões sobre o futuro do trabalho, o encontro acabou cumprindo um velho princípio democrático que raramente sai de moda. Quando as discussões acontecem em praça pública e dentro das regras institucionais, quem ganha é o debate e quem decide, no final das contas, é sempre o processo legal.
Fonte: Revista40graus, Boulos, mídias, redes sociais e colaboradores
