Caminhoneiros começam a deixar polo em Teresina após impasse com emissão do CIOT
Setor acumula prejuízos e espera normalização gradual do transporte nos próximos diasApós mais de 20 dias de espera no Polo Empresarial Sul, em Teresina, caminhoneiros começaram a ser liberados gradualmente após problemas relacionados à emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), documento obrigatório para o transporte rodoviário de cargas em todo o país.
A exigência passou a valer oficialmente no dia 24 de maio de 2026 e provocou dificuldades operacionais que afetaram o fluxo logístico em diferentes estados brasileiros.
Segundo representantes do setor, equipes trabalharam durante toda a madrugada para cancelar mais de 300 notas fiscais já emitidas e realizar a reemissão dos documentos por meio de outra plataforma. A expectativa é que a situação seja normalizada gradualmente nos próximos três a quatro dias.
O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Estado do Piauí (Sindicapi), Humberto Lopes, afirmou que o problema não ocorreu apenas no Piauí e atribuiu os transtornos à implantação do sistema sem um período adequado de adaptação para transportadoras e motoristas.
De acordo com ele, entidades ligadas ao setor acionaram a Justiça e solicitaram à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) um prazo de 60 dias para adequação às novas exigências.
Apesar do início da liberação das cargas, empresas e caminhoneiros ainda contabilizam prejuízos provocados pela paralisação parcial das operações logísticas.
A ANTT informou que as instabilidades registradas nos primeiros dias já eram esperadas dentro do processo de implantação do novo sistema e destacou que a maioria das operações ocorreu sem necessidade de utilização do modo de contingência.
Confira a nota da ANTT na íntegra:
Nota de esclarecimento da ANTT
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) esclarece que a obrigatoriedade de geração do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) para as operações abrangidas pelas novas regras entrou em vigor em 24 de maio de 2026, às 18h.
Nos primeiros dias de implantação do sistema, foram registradas instabilidades pontuais, já superadas. Desde o início da operação, aproximadamente 1 milhão de CIOTs já foram gerados, sendo que mais de 80% dessas operações foram registradas sem necessidade de utilização do modo de contingência.
A ANTT destaca que a regulamentação prevê a operação em contingência justamente para garantir a continuidade do transporte em situações excepcionais. Nesses casos, o registro da operação pode ser realizado localmente pelo transportador, independentemente da disponibilidade dos sistemas da Agência, permitindo o início da viagem e a posterior transmissão das informações à ANTT no prazo regulamentar de até 168 horas.
Dessa forma, a operação em contingência foi concebida para evitar a paralisação do transporte de cargas e assegurar a continuidade das atividades logísticas em todo o país.
A Agência ressalta ainda que a obrigatoriedade de geração do CIOT teve início apenas em 24 de maio de 2026, não havendo relação entre essa medida e relatos de paralisações que teriam ocorrido anteriormente a essa data.
Mesmo nos casos de contingência, permanecem válidas todas as obrigações legais e regulatórias aplicáveis à operação de transporte, incluindo a regularidade cadastral dos envolvidos, a correta declaração das informações da operação e, quando cabível, o cumprimento do Piso Mínimo de Frete.
Para orientar transportadores, empresas e demais usuários, a ANTT disponibilizou uma página especial com informações detalhadas e perguntas frequentes sobre o tema.
Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e colaboradores
