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Manual de sobrevivência natalina: o que não perguntar e como responder

Especialistas explicam como evitar gafes e manter a ceia em clima civilizado
Redação

Chega o fim de ano e, com ele, o ritual conhecido: pessoas que quase não se veem durante o ano vestem o melhor sorriso, sentam à mesma mesa e fingem que tudo está perfeitamente em harmonia. Natal e Ano Novo reúnem familiares e amigos com rotinas, valores, opiniões políticas e fases de vida bem diferentes — um cenário fértil para comentários inconvenientes, perguntas invasivas e debates que ninguém pediu.

Foto: Catarina PignatoFestas de final de ano e ano novo
Festas de final de ano e ano novo

Segundo a psicanalista Belinda Mandelbaum, professora do Instituto de Psicologia da USP, existe uma expectativa quase obrigatória de felicidade nas festas, mesmo quando o ambiente não ajuda. Reencontros com pouco convívio ou conflitos antigos tendem a gerar tensão, ainda que tudo esteja coberto por papel de presente e rabanada.

A psicóloga Manuela Moura, professora do Cefac Bahia, lembra que o fim do ano costuma vir acompanhado de balanços pessoais. Quem sente que não atingiu metas importantes tende a estar mais sensível — o que transforma perguntas aparentemente “inocentes” em verdadeiros testes de paciência.

Saiba ler o clima da sala

Para o psicólogo Antonio Carlos Amador Pereira, muitos comentários inadequados não nascem da maldade, mas do impulso de “preencher o silêncio”. Em outras palavras, nem todo comentário atravessado é intencional, mas isso não o torna menos incômodo.

Mandelbaum destaca que falar sobre aparência ou mudanças físicas costuma soar invasivo. “Falar do corpo é como tocar a pessoa”, explica Pereira. E como nem todo mundo gosta de contato físico, comentários sobre peso, idade ou aparência tendem a causar reações emocionais intensas — especialmente quando vêm de quem não tem intimidade.

O que é melhor não perguntar

Moura é direta: se você já sabe que o assunto incomoda, por que insistir? Perguntar se alguém emagreceu, arrumou namorado, conseguiu emprego ou “vai ter filhos quando” raramente contribui para a digestão da ceia.

Para Mandelbaum, palavras também podem ferir. O respeito às diferenças e a atenção aos limites do outro são essenciais para conversas minimamente saudáveis. Observar silêncios, mudanças de humor ou respostas curtas costuma ser um bom sinal de que é hora de trocar de assunto — ou ir pegar mais sobremesa.

Como responder sem estragar a festa

Quando o comentário inconveniente já foi feito, especialistas concordam que nem sempre vale partir para o confronto. Respostas curtas, neutras ou até o silêncio estratégico costumam encerrar o assunto com menos desgaste.

Em alguns casos, porém, explicitar o incômodo pode ser necessário. Dizer algo como “prefiro não falar sobre isso” ajuda a estabelecer limites sem transformar a ceia em tribunal.

No fim das contas, reconhecer os próprios limites e respeitar os dos outros pode não resolver todos os conflitos familiares, mas certamente aumenta as chances de atravessar Natal e Ano Novo com mais leveza — e menos histórias constrangedoras para lembrar no próximo ano.

Fonte: Revista40graus, Geovana Oliveira, mídias, pesquisa e colaboradores

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