Revista 40 Graus

Notícias

Blogs

Outros Canais

De motorista de ônibus a alvo internacional: quem é Nicolás Maduro

Líder sindical que herdou o chavismo governa a Venezuela há 12 anos e entrou na mira direta dos EUA
Redação

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (3) a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. A declaração ocorreu após Washington lançar uma série de ataques contra Caracas. Segundo o republicano, ambos foram expulsos do país, em mais um capítulo da escalada de tensão entre os dois governos.

Foto: CNNProcuradoria-Geral dos EUA acusa Maduro e Cilia Flores de narcoterrorismo e outros crimes após operação em Caracas, diz Bondi
Procuradoria-Geral dos EUA acusa Maduro e Cilia Flores de narcoterrorismo e outros crimes após operação em Caracas, diz Bondi

No poder há 12 anos, Maduro cumpre atualmente seu terceiro mandato. Desde o retorno de Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025, o venezuelano passou a ser um dos principais alvos da política externa americana. Os Estados Unidos não reconhecem o governo de Maduro e o acusam de envolvimento com cartéis de drogas que atuam no Caribe.

Das ruas ao Palácio

Nicolás Maduro Moros nasceu em 23 de novembro de 1962, em Caracas. Criado em um bairro de classe trabalhadora, iniciou a vida profissional como motorista de ônibus — uma origem frequentemente lembrada por aliados e críticos. Antes de chegar ao topo do poder, destacou-se como líder sindical, organizando trabalhadores do sistema de transporte da capital.

A aproximação com Hugo Chávez, no fim dos anos 1990, mudou seu destino político e, de quebra, o rumo da Venezuela. Casado com a advogada Cilia Flores, figura influente no chavismo, Maduro passou a integrar o núcleo duro do poder. Flores já foi deputada, presidente da Assembleia Nacional e procuradora-geral do país.

O herdeiro escolhido

Com a chegada de Chávez ao poder, em 1999, Maduro ganhou projeção nacional. Ocupou cargos estratégicos, como deputado, presidente da Assembleia Nacional, ministro das Relações Exteriores e vice-presidente da República. A lealdade ao líder bolivariano foi recompensada em 2013, quando Chávez, pouco antes de morrer, o apontou publicamente como sucessor.

Desde então, Maduro assumiu o posto e manteve-se no comando, enfrentando crises econômicas, sanções internacionais e eleições constantemente questionadas.

Um governo sob contestação

Maduro é hoje uma das figuras mais contestadas da política latino-americana. A oposição venezuelana questionou o resultado das eleições de 2024, nas quais ele declarou vitória. Diversos países se recusaram a reconhecer o pleito.

No Brasil, o governo Lula optou por não reconhecer o resultado eleitoral. Argentina e Estados Unidos seguiram o mesmo caminho, citando falta de transparência no processo.

Na mira de Washington

Desde janeiro de 2025, Maduro passou a figurar oficialmente entre os principais alvos do governo Trump. Em agosto, os EUA elevaram para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à sua prisão. Em setembro, Washington iniciou uma operação naval contra o narcotráfico no Caribe e no Pacífico, próximo às costas da Venezuela e da Colômbia, com mais de 30 embarcações destruídas.

Nesta semana, Trump afirmou que os Estados Unidos atacaram uma grande instalação portuária venezuelana usada para o carregamento de drogas. A ação, atribuída à CIA, marcou o primeiro ataque terrestre no país desde o início da ofensiva americana contra cartéis de drogas na América Latina.

Entre discursos ideológicos, acusações internacionais e operações militares, a trajetória de Maduro mostra que o ex-líder sindical segue no centro de um tabuleiro geopolítico cada vez menos tolerante com seu estilo de poder.

Fonte: Revista40graus, mídias, Reuters e Colaboradores

Comente