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Mulher morta por agente de imigração nos EUA era cidadã americana

Caso de Renee Nicole Good comove o país e reacende dor, revolta e questionamentos sobre o uso da força em operações do ICE
Redação

A morte de Renee Nicole Good, de 37 anos, atingida por disparos de um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), causou comoção e indignação em todo o país. O caso ocorreu na tarde de quarta-feira (7), durante uma operação de fiscalização em Minneapolis, no estado de Minnesota, e ainda está sob investigação.

A identidade da vítima foi confirmada pela deputada democrata Ilhan Omar, que acompanha de perto o caso. Segundo informações do Minnesota Star Tribune, Renee era cidadã norte-americana e atuava como observadora jurídica na cidade. Nas redes sociais, ela se apresentava como poeta, escritora e guitarrista, além de demonstrar carinho especial pelo Colorado, estado com o qual mantinha vínculos afetivos.

Foto: Redes SociaisRenee Nicole Good
Renee Nicole Good

À imprensa, a mãe da vítima, Donna Ganger, falou com emoção sobre a filha, descrevendo-a como uma pessoa de extrema bondade. Renee vivia em Minnesota com o companheiro e o filho de apenas seis anos.
“Renee foi uma das pessoas mais gentis que já conheci. Ela era extremamente compassiva. Ela cuidou das pessoas a vida toda. Era amorosa, perdoadora e carinhosa. Uma pessoa incrível”, disse, em meio à dor.

Segundo o Departamento de Segurança Interna, a secretária Kristi Noem afirmou que o disparo ocorreu em legítima defesa, alegando que Renee teria tentado atropelar um dos agentes com o veículo. A versão oficial, no entanto, vem sendo duramente contestada por autoridades locais e por testemunhas.

O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, criticou a atuação dos agentes e classificou a ação como imprudente. Ele anunciou a abertura de uma investigação independente e prometeu responsabilizar os envolvidos.
“A narrativa de que isso foi apenas legítima defesa é absurda. Não é verdade e precisa ser esclarecida, especialmente porque vimos o vídeo”, afirmou. Em tom duro, Frey acrescentou: “Saiam de Minneapolis. Vocês dizem que promovem segurança, mas estão fazendo exatamente o oposto”.

As imagens citadas pelo prefeito circularam amplamente nas redes sociais. O vídeo mostra um SUV parado parcialmente na via, com a motorista interagindo de forma cautelosa com outros veículos. Em poucos segundos, agentes do ICE se aproximam, tentam abrir a porta do carro e ordenam que ela desça. O veículo recua brevemente e, em seguida, avança para tentar deixar o local. Um agente saca a arma e dispara ao menos três vezes, encerrando de forma trágica a cena.

Revolta nas ruas

A morte de Renee Nicole Good aprofundou a tensão entre a população e o ICE. Desde o retorno de Donald Trump à presidência, em 2025, as operações de imigração têm sido marcadas por ações mais agressivas, com o objetivo declarado de promover a maior deportação em massa da história do país.

Renee é, ao menos, a quinta pessoa morta nesse contexto. Em resposta, manifestantes ocuparam as ruas próximas ao local do tiroteio em Minneapolis. Houve confrontos com agentes federais, que utilizaram agentes químicos para dispersar os protestos. Atos semelhantes também foram registrados em Nova Orleans, Miami, Seattle e Nova York.

A morte de uma mulher descrita como sensível, engajada e mãe de uma criança pequena deixou uma marca profunda na cidade — e levantou um lamento coletivo que ecoa além de Minnesota: como uma operação estatal termina com a vida de alguém que dedicou sua existência a cuidar dos outros?

Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e Colaboradores

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