Proclamação da República: o golpe que virou feriado
"Brasil sendo Brasil desde sempre"Todo 15 de novembro o Brasil para para celebrar um dos momentos mais... inusitados da nossa história: a Proclamação da República, também conhecida como o golpe que virou feriado. Em 1889, o país decidiu trocar a monarquia por um novo sistema político de um jeito bem brasileiro: rápido, improvisado e com direito a decisões de última hora.
Depois da Independência de 1822, o Brasil continuou como monarquia, com um imperador no comando até morrer ou cansar do trono. Mas, entre as décadas de 1870 e 1880, o reinado de Dom Pedro II já estava com a popularidade tão baixa quanto a bateria de celular no fim do dia. Críticas vinham de todo canto: influências da Revolução Francesa, debates políticos e, claro, a aristocracia escravocrata chateadíssima com a abolição da escravidão — afinal, perderam sua “mão de obra gratuita”.
Enquanto isso, os militares, que voltaram da Guerra do Paraguai cheios de moral, começaram a achar estranho continuar obedecendo a uma monarquia que, para eles, já estava ultrapassada. Spoiler: estavam prestes a fazer algo a respeito.
Como foi o golpe travestido de proclamação?
Em novembro de 1889, no Rio de Janeiro, o Exército decidiu que era hora de atualizar o sistema operacional do país — versão "Império 1.0" para "República 1.0". Liderados pelo Marechal Deodoro da Fonseca, organizaram um levante que, na prática, derrubou a monarquia. Assim, sem plebiscito, sem consulta popular e com a mesma naturalidade de quem troca de roupa.
Detalhe: Deodoro era amigo de Dom Pedro II e nem curtia tanto a ideia de república. Mas, como bom brasileiro, entrou no movimento porque o contexto empurrou — e porque, de quebra, ganhou o cargo de primeiro presidente do Brasil. Nada mal para quem começou o dia confuso e terminou líder de uma nova forma de governo.
A Família Real, pegando o clima da coisa, tratou logo de arrumar as malas e embarcar às pressas em um navio rumo ao exílio. E assim, na calada da madrugada, o Império foi embora sem despedida.
E o Brasil mudou?
Em 1891, veio a primeira Constituição republicana. Uma nova era, teoricamente. Na prática, porém, como lembra o historiador Odir Fontoura, quase nada mudou: desigualdade alta, pobreza disseminada, população analfabeta e participação política baixíssima — só o básico para manter tudo igual, mas agora com outro nome.
E o feriado?
Sim, é feriado nacional. Afinal, nada mais brasileiro do que transformar um golpe militar sem participação popular em um dia de descanso e churrasco.
Fonte: Revista40graus, colaboradores e acadêmicos
