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Golpe do falso advogado rende 14 prisões e lembra que processo judicial não cobra taxa por Pix

Operação da Polícia Civil desmonta esquema que usava processos públicos e laranjas para enganar vítimas
Redação

A criatividade do crime ganhou mais um capítulo no Piauí, desta vez com criminosos que decidiram brincar de advocacia sem diploma, sem ética e agora também sem liberdade. A Polícia Civil do Piauí prendeu 14 pessoas suspeitas de integrar o chamado golpe do falso advogado, esquema que fez dezenas de vítimas e movimentou cerca de R$ 500 mil.

Foto: SSP-PIOperação Falso Advogado da Polícia Civil do Piauí com apoio das Polícias do Ceará, Pernambuco, Goiás e Amazonas
Operação Falso Advogado da Polícia Civil do Piauí com apoio das Polícias do Ceará, Pernambuco, Goiás e Amazonas

As prisões ocorreram nos estados do Ceará, Amazonas, Goiás, Pernambuco e São Paulo. Entre os detidos estão cinco apontados como lideranças do grupo e nove pessoas que atuavam como laranjas, emprestando contas bancárias para receber os valores transferidos pelas vítimas.

De acordo com o delegado Luccy Keiko, ao menos 50 vítimas foram identificadas no Piauí e algumas chegaram a perder até R$ 50 mil. Ao todo, cerca de 120 advogados tiveram seus nomes usados indevidamente pelos criminosos.

O funcionamento do golpe era simples, embora bastante ilegal. Os investigados acessavam processos disponíveis publicamente nos sistemas judiciais e, após coletar informações, entravam em contato com as partes envolvidas se passando pelo advogado responsável pelo caso. Em seguida, informavam que a pessoa teria valores a receber na Justiça e que seria necessário pagar supostas taxas para liberar o dinheiro.

Naturalmente, a tal taxa era solicitada via transferência para contas de terceiros, os famosos laranjas do esquema. Em muitos casos, as vítimas acreditavam na história e transferiam quantias significativas acreditando que estavam resolvendo uma etapa burocrática do processo.

A investigação contou com apoio da Ordem dos Advogados do Brasil, que auxiliou na identificação do padrão do golpe após receber diversas reclamações de profissionais que tiveram seus nomes usados pelos criminosos.

Durante as prisões, alguns investigados ainda tentaram dar um último gesto de criatividade jurídica ao quebrar os próprios celulares para evitar a análise dos dados. Segundo o delegado Humberto Macola, a tentativa não foi muito eficaz. Em três casos os aparelhos foram preservados e os outros ainda poderão ter informações recuperadas por perícia.

Foto: SSP-PIOperação Falso Advogado da Polícia Civil do Piauí com apoio das Polícias do Ceará, Pernambuco, Goiás e Amazonas
Operação Falso Advogado da Polícia Civil do Piauí com apoio das Polícias do Ceará, Pernambuco, Goiás e Amazonas

A primeira fase da operação contou com 62 mandados judiciais, sendo 31 de prisão temporária e 31 de busca e apreensão. Além de celulares e documentos, também foram apreendidos dinheiro e outros materiais que devem auxiliar na continuidade das investigações.

Os chamados laranjas, muitos deles motoristas de aplicativo ou garçons, também deverão responder criminalmente por emprestar contas bancárias para receber valores oriundos do golpe. A polícia lembra que a participação em esquemas desse tipo não vira emprego temporário, vira processo criminal.

A Polícia Civil já trabalha na segunda fase da operação e não descarta a participação de mentores com maior conhecimento do funcionamento do sistema judicial.

Para evitar cair nesse tipo de golpe, a orientação é simples e jurídica ao mesmo tempo. Se alguém entrar em contato dizendo que há dinheiro para receber na Justiça mediante pagamento antecipado, o melhor caminho é procurar diretamente o advogado de confiança ou o escritório responsável pelo processo. Afinal, na vida real, sentença judicial não costuma vir acompanhada de taxa urgente por mensagem de celular.

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Fonte: Revista40graus, SSP-PI e colaboradores

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