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PF indicia 16 pessoas por queda de avião da Voepass que matou 62 em Vinhedo

Investigação aponta falhas técnicas, omissões na manutenção e orientação interna para não registrar problemas na aeronave
Redação

A Polícia Federal concluiu a investigação sobre a queda do avião da Voepass Linhas Aéreas em Vinhedo, no interior de São Paulo, e indiciou 16 funcionários e ex-funcionários da companhia. Entre eles está o diretor-presidente da empresa, José Luiz Felício Filho.

O acidente ocorreu em 9 de agosto de 2024. A aeronave turboélice ATR 72-500, que realizava o voo 2283 entre Cascavel, no Paraná, e Guarulhos, em São Paulo, caiu em uma área residencial. As 62 pessoas a bordo — 58 passageiros e quatro tripulantes — morreram.

Foto: ReproduçãoPolícia Federal indicia 16 pessoas por queda de avião da Voepass
Polícia Federal indicia 16 pessoas por queda de avião da Voepass

Dos 16 investigados, 15 foram indiciados pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo, previsto no artigo 261 do Código Penal. O comandante que havia pilotado a mesma aeronave durante a madrugada foi indiciado por falsidade ideológica.

O indiciamento representa a conclusão da investigação policial, mas não significa condenação. O inquérito será analisado pelo Ministério Público Federal (MPF), que decidirá se apresenta denúncia contra os investigados à Justiça.

A Justiça Federal também determinou que os indiciados não deixem o Brasil. Aqueles que estiverem no exterior deverão retornar ao país enquanto o MPF analisa o caso.

Além do presidente da Voepass, foram indiciados profissionais ligados a diferentes setores da companhia. A lista inclui o comandante do voo imediatamente anterior ao acidente, um mecânico, responsáveis pelo Centro de Controle de Manutenção e pelo Centro de Controle Operacional, além de dirigentes das áreas de manutenção, operações, segurança operacional e chefia dos pilotos.

Segundo a investigação, o comandante do voo anterior teria entregado a aeronave sem registrar falhas identificadas durante a operação. O mecânico, por sua vez, teria deixado de realizar os procedimentos de manutenção necessários.

No caso de atentado contra a segurança do transporte aéreo com resultado fatal, as penas podem chegar a 24 anos de prisão, conforme o enquadramento apresentado na investigação.

Falhas no sistema de degelo

A PF concluiu que a aeronave não apresentava condições técnicas para realizar o voo diante da formação severa de gelo e das precipitações encontradas durante o trajeto.

Equipamentos considerados essenciais para esse cenário, como o sistema de degelo e o limpador do para-brisa, estariam inoperantes. Apesar disso, a companhia teria autorizado a decolagem.

Durante o voo, os pilotos receberam avisos graduais de deterioração das condições de segurança. Entre os alertas estava o acionamento da luz de “master caution”. Para os investigadores, a tripulação não adotou as providências necessárias diante dos sinais emitidos pela aeronave.

A PF também verificou que o avião havia apresentado problemas semelhantes em operações anteriores. As falhas, no entanto, não teriam sido incluídas nos relatórios posteriores aos voos.

Segundo o delegado-chefe da Polícia Federal em Campinas, André Ribeiro, a investigação encontrou uma “cultura organizacional de não reporte” dentro da empresa.

“A investigação comprova que havia, por parte da chefia dos pilotos e da direção de operações, orientação para não reportar as falhas, porque elas poderiam parar a aeronave, impedindo um voo subsequente”, declarou o delegado.

As apurações apontam uma combinação de condições meteorológicas adversas, falhas técnicas conhecidas, problemas de manutenção e omissões operacionais. Associated Press

Fiscalização da Anac será apurada

A Polícia Federal solicitou à Justiça autorização para compartilhar as informações do inquérito com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O objetivo é permitir uma investigação administrativa sobre possíveis falhas no processo de fiscalização da Voepass.

O compartilhamento também foi solicitado com a Procuradoria da República no Distrito Federal, onde está localizada a sede da agência reguladora.

De acordo com o delegado André Ribeiro, dezenas de processos de fiscalização da Anac foram analisados durante o inquérito. A PF pretende esclarecer se houve omissão ou irregularidade na atuação de servidores responsáveis por acompanhar a companhia aérea.

Familiares das vítimas acompanharam a apresentação das conclusões da Polícia Federal e classificaram como criminosas as práticas identificadas durante a investigação.

Fátima Albuquerque, integrante da Associação de Familiares das Vítimas, afirmou que os profissionais envolvidos conheciam os riscos das falhas e, mesmo assim, teriam permitido a continuidade das operações.

Os advogados da associação informaram que o grupo deverá ingressar com uma ação coletiva por danos morais contra a Voepass.

Em nota divulgada após a conclusão do inquérito, a companhia afirmou que adotava os protocolos de segurança, manutenção e capacitação previstos pela Anac e que os pilotos recebiam treinamento para enfrentar situações de formação de gelo.

Foto: ReproduçãoPolícia Federal indicia 16 pessoas por queda de avião da Voepass

Fonte: Reprodução

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