Rigor, Legalidade e Interesse Público: Ministério Público Rebate Pedido de Anulação e Defende Regularidade da Audiência
Promotor afirma que processo segue dentro da lei, com garantias preservadas, e com provas documentais sobre atuação de AlandilsonO Ministério Público do Piauí reafirmou, nesta terça-feira (25), a plena regularidade da audiência de instrução envolvendo Alandilson Cardoso, após a defesa solicitar ao Supremo Tribunal Federal a anulação de todos os atos já realizados. Para o promotor de Justiça Mário Normando, o pedido carece de fundamento jurídico, técnico e prático, sobretudo diante da forma transparente e legal pela qual o processo vem sendo conduzido.
Segundo o MP, a reclamação ao STF foi protocolada em 18 de novembro, sob relatoria do ministro Gilmar Mendes. Apesar disso, o promotor considera que não há qualquer motivo para interromper um ato processual que vem assegurando contraditório, ampla defesa e todas as garantias necessárias à busca da verdade.
“Não vemos razão jurídica, técnica ou prática para anular a audiência. Ela tem sido conduzida dentro da legalidade, com respeito às partes e ao devido processo. Até o momento, não há fundamento para cancelamento ou adiamento”, afirmou Normando.
Ele ainda alertou para o impacto operacional e financeiro de uma eventual anulação, destacando que o procedimento envolve mobilização policial, logística de segurança, custos públicos e o tempo de todas as instituições envolvidas. “Não há justificativa legal nem prática para invalidar o que já foi regularmente realizado”, completou.
Provas documentais e vínculos financeiros
Ao ser questionado sobre os elementos que sustentam a investigação, o promotor foi enfático ao afirmar que há documentação robusta indicando a atuação de Alandilson como operador financeiro da facção Bonde dos 40.
De acordo com o Ministério Público, registros bancários, movimentações e vínculos formais demonstram ligação direta entre o réu e diversos integrantes da organização criminosa.
“A relação do senhor Alandilson com o Bonde dos 40 é de natureza financeira. Ele atuaria como um braço operacional para movimentações de recursos, o que está documentalmente comprovado nos autos”, destacou.
Indícios de compra de votos nas eleições
O promotor também relatou que as provas colhidas ao longo da investigação apontam para o uso da estrutura financeira da facção na compra de votos durante as eleições municipais.
Segundo o MP, testemunhas confessaram ter vendido votos durante as oitivas, e a operação da Polícia Federal apreendeu centenas de fichas contendo nomes de eleitores, valores prometidos, registros de PIX e metas de votos. A quebra do sigilo bancário confirmou depósitos feitos na véspera da eleição para pessoas listadas nesses documentos.
“As evidências indicam uma prática organizada. Há casos em que o eleitor enviava foto da urna, da fila, do local de votação. É prova extremamente robusta”, afirmou.
Audiência tranquila e dentro das normas
Sobre o andamento da audiência, Mário Normando destacou que tudo ocorre com normalidade e respeito institucional.
“A audiência está sendo conduzida de forma muito tranquila pela magistrada. Não houve qualquer atrito entre defesa e Ministério Público.”
As oitivas seguem até sexta-feira (28), quando ocorrerá o interrogatório dos réus.
Fonte: Revista40graus, colaboradores e Ministério Público Eleitoral
