Em meio à seca, MP sugere trocar palco por prudência em Piripiri
Shows de R$ 450 mil viram alvo de recomendação enquanto município está em emergênciaO Ministério Público do Piauí (MPPI) resolveu puxar o freio de mão da festa em Piripiri. Em recomendação assinada pelo promotor de Justiça Márcio Carcará, a prefeita Jôve Oliveira (PT) foi orientada a suspender imediatamente os contratos do Corso PeryPery 2026, previsto para os dias 6 e 7 de fevereiro — um evento animado, mas orçado em pouco discretos R$ 450 mil.
Segundo o MP, os valores chamam atenção: R$ 150 mil para o artista O Kannalha e R$ 300 mil para Igor Kannario. O detalhe curioso é que o montante ultrapassa todo o orçamento previsto para contratações artísticas ao longo do exercício financeiro de 2026. Tudo isso em um município que vive sob decreto de situação de emergência por causa da seca, reconhecido pelos governos estadual e federal.
Para o Ministério Público, destinar recursos públicos a grandes festividades em meio a esse cenário não combina muito com princípios como moralidade administrativa, economicidade e razoabilidade — especialmente quando serviços essenciais, como segurança hídrica, saúde e assistência social, estão no radar das prioridades.
A recomendação também lembra a necessidade de observar a Lei de Responsabilidade Fiscal, a Lei de Licitações e as orientações do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI), que não veem com bons olhos eventos festivos quando eles competem com metas fiscais ou com a manutenção de serviços básicos.
Entre as providências sugeridas estão a suspensão dos contratos já firmados, a proibição de novos gastos com o evento enquanto durar a emergência e, como alternativa, o redimensionamento do Corso — com menos custos, mais artistas locais ou, quem sabe, a realização da festa só depois que a seca sair oficialmente de cena.
A Prefeitura de Piripiri informou que analisa a recomendação “com respeito institucional” e destacou que o evento está previsto na Lei Orçamentária Anual, sem uso de recursos destinados ao combate à seca. Também argumentou que a situação de emergência atinge áreas rurais específicas e que o Corso faz parte da estratégia de fortalecimento da economia local.
Agora, a gestão municipal tem 48 horas para informar se acata ou não a recomendação. Até lá, segue a dúvida: em tempos de estiagem, o que deve falar mais alto — o som dos paredões ou o bom senso administrativo?
Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e colaboradores
