Promotor apela ao eleitor: não venda o voto — por mais que políticos ruins insistam na oferta
Caso Tatiana Medeiros vira lição óbvia: democracia não sobrevive quando o mau político encontra o mau eleitor disposto a negociarEm plena audiência do caso envolvendo a vereadora Tatiana Medeiros (PSB), o promotor Mário Normando fez aquilo que, num país sério, não deveria ser necessário: pedir para o eleitor não vender seu próprio voto. Sim, em 2025 ainda é preciso explicar que democracia não funciona quando o mau político e o mau eleitor decidem transformar o pleito num balcão de negócios.
O promotor ressaltou que o processo tem um papel educativo — o que já mostra o tamanho do problema. Quando uma ação judicial com acusação de facção criminosa, compra de votos, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e rachadinha precisa virar material didático, é porque parte da sociedade abandonou qualquer noção mínima de cidadania.
Tatiana Medeiros segue em prisão domiciliar, enquanto seu namorado, Alandilson Cardoso, está preso no presídio de Altos. Junto com eles, outros oito réus respondem a acusações graves. E, ainda assim, é preciso lembrar ao eleitor que ele também tem responsabilidade no caos eleitoral.
Segundo Mário Normando, a compra de votos virou prática cultural — e não é difícil perceber por quê. O mau político oferece porque sabe que o mau eleitor, muitas vezes, aceita. E, como o promotor destacou, não dá para fingir que isso não acontece: a corrupção eleitoral é uma dança onde os dois lados apertam as mãos.
A vulnerabilidade econômica agrava tudo, mas não justifica transformar o próprio futuro em barganha. Como bem disse o promotor, nenhum valor — R$ 50, R$ 100, R$ 200, um milheiro de tijolo ou um saco de cimento — compra dignidade. O que compra é o próprio enfraquecimento do país e a continuidade dos mesmos políticos que prometem muito e entregam pouco.
E vale a lembrança final: quem vende voto comete crime. Sim, crime — com pena de até quatro anos de prisão e multa. Não é “jeitinho”, não é “ajuda”, não é “só desta vez”. É corrupção eleitoral.
Quando o eleitor topa o jogo sujo, o resultado é sempre o mesmo: o mal político vence, o bom político perde e a sociedade inteira paga a conta.
Fonte: Revista40graus, colaboradores e MP-Eleitoral
