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Santa Catarina corre para defender vacinas após salto de meningite e tropeços negacionistas

Mortes em alta obrigam governo a reforçar imunização enquanto discursos antivacina ainda rondam o debate público
Gustavo Henrique ou Gustavo pela Cidade

Quando a realidade dá “um tapa” no negacionismo: Santa Catarina corre para alertar sobre vacinação após salto de mortes por meningite
Porque, veja só, o vírus e a bactéria ainda não foram informados de que “vacina não funciona”, segundo o manual paralelo de ciência dos bolsonaristas.

Foto: ReproduçãoDebate sobre a não obrigatoriedade de vacinas é inoportuno
Debate sobre a não obrigatoriedade de vacinas é inoportuno

Santa Catarina registrou, até outubro de 2025, sete mortes por meningite — mais que o dobro das três registradas no ano passado. A faixa etária mais atingida? Adultos de 30 a 39 anos, justamente aquela turma que passou os últimos anos ouvindo de autoridades negacionistas que “vacina é uma escolha”, “vacina não evita doença”, ou a clássica “vacina dá problema porque tem chip”. Pois bem, a bactéria parece que não recebeu nenhuma dessas lives e segue fazendo seu trabalho com brutal eficiência.

O número de casos também não quis acompanhar discursos políticos: subiu de 14 em 2021, para 26 em 2022, 30 em 2023, 28 em 2024 e agora já 36 em 2025. O governo — aquele mesmo que vez ou outra flerta com teses antivacina por conveniência ideológica — agora corre para reforçar o óbvio: vacinar salva vidas. Surpresa? Só para quem achava que imunização era “coisa de globalista”.

O Programa Nacional de Imunizações oferece gratuitamente várias vacinas capazes de prevenir formas perigosas de meningite bacteriana: BCG, Meningocócica C, ACWY, Haemophilus influenzae tipo B, Pneumocócica, todas disponíveis nas UBSs. Sim, de graça. Sim, funcionam. Sim, mesmo que algum governador ou deputado amigo do ex-presidente tenha feito cara feia em rede social dizendo que “não confia muito nisso aí”.

A vacina Meningocócica C conjugada, por exemplo, protege contra a doença meningocócica e está disponível para crianças a partir de 3 meses até menores de 5 anos, com doses aos 3 e 5 meses e reforço aos 12 (com a ACWY). Já a ACWY também integra a rotina de adolescentes de 11 a 14 anos. O detalhe incômodo: justamente o sorogrupo C — aquele contra o qual existe vacina eficaz — é o mais letal no Estado e já provocou três das sete mortes deste ano, em pessoas de 20 a 39 anos. Ou seja: negar vacina é quase assinar recibo de vulnerabilidade.

Meningite é séria, rápida e sem paciência para discursos ideológicos: inflama as meninges, pode ser causada por bactérias, vírus ou fungos e chega com sintomas como febre, dor de cabeça, rigidez no pescoço, náuseas, vômitos, manchas vermelhas ou roxas e alterações de comportamento. Em recém-nascidos, pode aparecer só como irritação e falta de apetite — e isso já é motivo suficiente para correr ao atendimento.

Além da vacinação — que deveria ser consenso, mas virou campo de batalha político por obra e graça de quem gosta de ver ouroboro de desinformação — o governo também recomenda medidas básicas: ambientes ventilados, higiene das mãos, limpeza de superfícies, cuidado com utensílios e brinquedos e, claro, não compartilhar copos e talheres.

No fim das contas, a ironia é amarga: diante dos números, até governos simpáticos ao negacionismo precisam fazer o que sempre deveriam ter feito — defender a ciência. E fica aqui o lembrete que não deveria ser necessário em 2025:
Vacinas funcionam. E a meningite não espera ninguém terminar live para decidir se vai atacar ou não.

Lembrando que todos de um país continental como o Brasil acabam sofrendo as consequências de um ou outro estado da federação e, neste caso, no quesito saúde pública.

Fonte: Revista40graus, colaboradores, SUS e meios de comunicação

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