Quando a Prefeitura Falha, a Mãe se Arrisca: a injustiça social que roda sobre duas rodas
Em Teresina, a falta de transporte público empurra famílias à ilegalidade para garantir um direito básicoO que vi na Cerâmica Cil, na casa de dona Navegantes, não foi apenas uma história triste — foi um retrato escancarado da injustiça social que insiste em circular por Teresina sem ser notada pelo poder público. Dona Navegantes é mãe de Benjamim, uma criança com paralisia cerebral que depende de terapias constantes para ter dignidade, autonomia e qualidade de vida. O mínimo, portanto.
Mas, na capital que promete inclusão em discursos e campanhas, essa família enfrenta um drama cotidiano: não existe transporte adequado e seguro para levar Benjamim aos atendimentos. Diante da ausência de eficiência no Transporte Eficiente, sobra o improviso. E o improviso, aqui, é perigoso. A família se vê obrigada a transportar a criança em uma motocicleta — colocando em risco a própria vida, a do filho e ainda assumindo o peso de estar, tecnicamente, fora da lei. Não por vontade, mas por abandono.
Questionada, a gestão pública faz o que sabe: terceiriza a culpa. Segundo a Strans, por meio de seu coordenador de fiscalização, Francisco Batista, o problema seria da empresa Santa Cruz, responsável pelo serviço. O velho e conhecido jogo de empurra. Enquanto prefeitura, Strans e empresa discutem de quem é a responsabilidade, Benjamim continua sem transporte, e dona Navegantes continua escolhendo entre o perigo e a perda do tratamento do filho.
O caso não é exceção — é regra silenciosa. Dona Navegantes representa centenas de mães invisíveis, que sustentam a cidade com esforço, mas recebem descaso em troca. Famílias que não pedem favor, pedem direito. E direito não deveria depender de sorte, insistência ou exposição pública.
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Diante desse cenário, fica o apelo — com a ironia que a situação impõe — ao prefeito de Teresina e à Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito ( STRANS): menos notas, menos empurrões de responsabilidade e mais solução concreta. Caso contrário, o caminho natural será levar essa realidade aos órgãos de controle, como o Ministério Público, para que a justiça social entre em cena onde a prefeitura decidiu sair.
Porque dignidade não pode pegar carona. E inclusão não pode continuar só no discurso.
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