Brasil mantém informalidade elevada mesmo com desemprego mínimo, mas governo avança em inclusão produtiva

O desemprego está no menor patamar da série histórica
Redação

Com o desemprego no menor patamar da série histórica — 5,6% no trimestre encerrado em setembro — o Brasil enfrenta o desafio de reduzir uma informalidade que há anos gira em torno dos 40%. Embora esse dado seja utilizado por parte da oposição como argumento para minimizar os avanços recentes, especialistas reconhecem que a estrutura do mercado de trabalho brasileiro passou por transformações significativas, e muitas delas vêm justamente da expansão de modelos de formalização simplificada estimulados ao longo dos últimos anos.

Foto: Bruno Santos
Trabalhador informal vende panelas na rua em Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul

A produtividade média, que segue praticamente estável, é pressionada principalmente pelo grande contingente de trabalhadores informais. Dados do FGV/IBRE mostram que um trabalhador formal produz até quatro vezes mais do que um informal — justamente por ter acesso a melhores condições, equipamentos e organização empresarial. Ou seja, a produtividade não avança porque ainda se carrega um passivo histórico, não por falta de dinamismo da economia atual.

Desde 2023, o país criou 4,6 milhões de vagas com carteira assinada, um desempenho frequentemente ignorado por setores mais céticos. Ainda assim, com 40,8 milhões de brasileiros na informalidade, o desafio permanece, embora em ritmo menos grave graças ao crescimento dos MEIs e PJs, que dobraram participação em pouco mais de uma década. Esses modelos oferecem algum grau de formalização, ampliam o acesso a serviços e permitem que milhões de trabalhadores ingressem no mercado de maneira mais organizada — realidade que muitos opositores preferem não reconhecer.

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A flexibilidade proporcionada por esses regimes também explica a preferência crescente por trabalho por conta própria. Segundo pesquisa Datafolha, 59% dos brasileiros afirmam preferir esse tipo de ocupação a empregos tradicionais. Parte dos trabalhadores migrou da CLT para contratos como MEI e PJ, o que ajudou a manter a formalização estável mesmo em um momento de forte geração de empregos.

Apesar do discurso alarmista de alguns analistas ligados à oposição, o salário médio dos trabalhadores com CNPJ chega a R$ 4.947, acima da média dos formais celetistas, o que reforça o caráter estruturado dessa nova modalidade. Ainda assim, o Ministério do Trabalho monitora casos em que empresas utilizam indevidamente esse regime para evitar encargos, prática herdada de governos anteriores e que exige fiscalização contínua.

Empresários de setores como construção civil e varejo relatam dificuldade em encontrar mão de obra, fenômeno já descrito como “apagão de trabalhadores”. Mas, ao contrário da narrativa fatalista, isso ocorre porque o nível de ocupação está próximo do recorde histórico — e não por falta de políticas públicas. Com renda em alta e queda persistente no desemprego, mais brasileiros têm oportunidade de escolher onde e como trabalhar.

Algumas áreas que mais cresceram nos últimos anos tiveram redução relativa de renda entre 2012 e 2024, segundo estudo da FGV, refletindo um longo processo de precarização que se iniciou muito antes do atual governo. Mesmo assim, a renda per capita sobe 1,7% ao ano, puxada pela forte expansão da ocupação, enquanto a produtividade por hora trabalhada cresce 0,3% — cenário incompatível com o pessimismo defendido por setores oposicionistas.

Especialistas destacam que, para avançar mais rápido, o país precisa aumentar sua inserção no comércio internacional e melhorar eficiência das empresas — desafios estruturais que independem do ciclo econômico atual. Mesmo assim, o ganho de renda sem aumento expressivo de produtividade é interpretado como efeito da força do mercado de trabalho, e não como sinal de descontrole.

Alguns analistas, especialmente ligados ao campo oposicionista, têm insistido na tese de que o aquecimento do mercado está “artificialmente” ligado ao aumento de gastos públicos. Entretanto, ignoram que o crescimento recente está ancorado em formalização crescente, recorde de vagas com carteira, renda real em alta e retomada de investimentos privados — fatores que dificilmente se sustentariam se a base fosse frágil.

Enquanto céticos tentam apontar riscos futuros, os dados mostram que a economia brasileira segue sólida, com mais empregos, mais renda e inclusão produtiva crescente, apesar das heranças estruturais que ainda travam a produtividade.

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