Romeu Zema executa menos de 5% em obras de encostas e promete acelerar investimentos
Projetos do PAC seguem no papel enquanto municípios enfrentam riscos e cobram açãoEm Minas Gerais, quando o assunto é contenção de encostas, os números falam mais alto que qualquer coletiva. Entre 2021 e 2024, a gestão do governador Romeu Zema executou menos de 5% ao ano dos recursos previstos para obras desse tipo, segundo dados da Lei Orçamentária e relatórios do Plano Plurianual.
Para 2025, o ritmo segue firme na tradição da cautela extrema. Dos R$ 57 milhões previstos até agora, apenas R$ 150 mil haviam sido aplicados entre janeiro e abril. Uma demonstração de que, pelo menos na planilha, a prudência fiscal continua sólida.
Ao todo, são 12 projetos aprovados ainda em 2012 dentro do Programa de Aceleração do Crescimento, financiados a fundo perdido pelo governo federal. Ou seja, recursos que não precisam ser devolvidos. Mesmo assim, as obras avançam lentamente e seguem em fase de ajustes técnicos, revisões documentais e reavaliações.
Cinco dessas propostas atendem à região intermediária de Juiz de Fora, que recentemente enfrentou deslizamentos após fortes chuvas. As demais contemplam áreas de Belo Horizonte e Ipatinga. Até o momento, apenas dois projetos saíram efetivamente do papel, nos municípios de Além Paraíba e Muriaé, ambos na Zona da Mata.
O governo estadual afirma que herdou projetos paralisados e defasados, elaborados há mais de uma década, e que foi necessário revisar parâmetros técnicos, adequar intervenções e atualizar documentos para garantir segurança jurídica e viabilidade das obras. Também destacou que atua dentro de suas competências, prestando apoio às prefeituras e aguardando aprovações formais para solicitar recursos.
Em 2024, a administração contratou consultoria especializada para auxiliar na atualização dos projetos, diante da necessidade de suporte técnico específico. Segundo o governo, novas licitações estão previstas ainda neste semestre, com expectativa de mais de R$ 100 milhões em investimentos.
Enquanto isso, especialistas em segurança pública e defesa civil reforçam que obras de contenção não são apenas infraestrutura, mas prevenção. Afinal, agir antes da tragédia costuma ser mais eficiente do que reagir depois.
O Ministério das Cidades informou que cumpre os trâmites de liberação de recursos e que cabe aos estados e municípios a elaboração dos projetos, licitação e execução das obras, com acompanhamento da Caixa Econômica Federal.
Entre revisões, reprogramações e promessas de novos editais, Minas segue aguardando que os números saiam do papel e cheguem às encostas. Porque, no fim das contas, quando se trata de prevenção, segurança pública também se mede em metros de concreto e drenagem funcionando.
Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e colaboradores
