Margem sobe até 103 por cento e combustível vira luxo no Brasil
Distribuidoras alegam custos mas esquecem de explicar números que não fecham
Enquanto o consumidor tenta entender por que abastecer virou um exercício de paciência e bolso fundo, distribuidoras e postos ampliam suas margens em até 103 por cento, especialmente no diesel S 500.
Segundo dados oficiais, a diferença entre o preço de compra e o de revenda disparou nos últimos meses. E isso mesmo com medidas do governo para conter os preços, como redução de impostos e subsídios. Ou seja, o alívio anunciado não chegou exatamente onde deveria chegar.
A justificativa do setor é conhecida: aumento de custos, fretes mais caros, importação, cenário internacional. Tudo muito plausível no discurso. O problema é provar isso na prática, principalmente quando os reajustes na bomba parecem correr muito mais rápido que qualquer planilha.
Curiosamente, um dos representantes de grande distribuidora preferiu não se identificar. Fica a dúvida: se está tudo dentro da normalidade, por que o anonimato? Transparência seletiva não ajuda a convencer ninguém.
Enquanto isso, dados indicam que os preços praticados pela Petrobras não acompanharam essa escalada na mesma proporção. Pelo contrário, houve medidas justamente para reduzir impactos ao consumidor.
Diante desse cenário, cresce a necessidade de uma atuação mais firme. ANP, Procons, Secretaria Nacional do Consumidor, Polícia Federal e polícias civis precisam agir de forma integrada para investigar e coibir práticas abusivas.
O governo já iniciou fiscalizações e autuações, mas a sensação para quem está na bomba é simples: a conta continua chegando mais alta, e a explicação segue cada vez mais difícil de engolir.
No fim, o consumidor paga, o setor justifica e a matemática... bem, essa parece não fechar para quem está do lado de cá.