Nordeste acelera, entrega obras e mostra que infraestrutura não vive só de promessa

Com investimentos federais, região deixa o discurso para trás e entra de vez no mapa do desenvolvimento
Redação

O ano de 2025 marcou uma virada concreta na infraestrutura do Nordeste. Depois de décadas ouvindo que “agora vai”, a região finalmente viu obras saírem do papel, máquinas entrarem em campo e investimentos federais se transformarem em trilhos, pontes, rodovias e mobilidade urbana. Sob coordenação do Ministério dos Transportes, o Nordeste passou a ocupar o lugar que sempre lhe coube na logística nacional — não por favor, mas por planejamento.

Foto: Francisco Gilásio
Trecho da Ferrovia Transnordestina

Somando obras rodoviárias, ferroviárias, mobilidade urbana, segurança viária e estudos estratégicos, os investimentos federais criaram bases sólidas para uma cadeia produtiva mais competitiva, reduziram desigualdades históricas e prepararam o terreno para um novo ciclo de desenvolvimento econômico e social.

Transnordestina: o trem finalmente anda

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A maior obra de infraestrutura do Nordeste viveu, enfim, um ano decisivo. Em dezembro, a Transnordestina realizou sua primeira viagem-teste com carga, transportando milho de Bela Vista do Piauí até Iguatu, no Ceará — um fato histórico para quem já tinha perdido a conta de quantas inaugurações simbólicas haviam sido feitas sem trilho concluído.

Somente em 2025, R$ 1 bilhão foi destinado ao Lote 8 da ferrovia, no Ceará. Em Pernambuco, após ter sido excluído do projeto pelo governo anterior, o trecho entre Salgueiro e o Porto de Suape voltou ao mapa, com R$ 415 milhões garantidos pelo Novo PAC para 73 quilômetros de obras.

Com investimento total de R$ 14,9 bilhões, 1.200 quilômetros de extensão e passagem por 53 municípios, a Transnordestina ligará Eliseu Martins (PI) ao Porto do Pecém (CE), com ramal até Suape (PE), reduzindo custos logísticos e impulsionando o desenvolvimento regional.

Maranhão reconectado — e rápido

Em dezembro, o Ministério dos Transportes entregou a nova Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, sobre o Rio Tocantins, restabelecendo em tempo recorde a ligação entre Maranhão e Tocantins pela BR-226. A obra foi concluída exatamente um ano após o colapso da antiga estrutura — algo raro em um país acostumado a prazos elásticos.

O estado também avançou com a reconstrução da BR-222, a duplicação da BR-135 e a entrega da travessia urbana de Imperatriz, facilitando o acesso a áreas turísticas e fortalecendo a economia local.

Alagoas deixa a espera para trás

Depois de mais de 20 anos, a BR-416, na Serra da Catita, finalmente foi entregue, com investimento de R$ 67 milhões e impacto direto para mais de 350 mil pessoas da Zona da Mata alagoana. A revitalização da BR-349, a duplicação da BR-101 e os projetos da BR-104 consolidaram o estado entre os que mais avançaram em infraestrutura.

A ponte Penedo–Neópolis, ligando Alagoas a Sergipe, recebeu R$ 41 milhões e promete fortalecer o turismo e a economia regional. Já o VLT de Arapiraca, com investimento de R$ 200 milhões, levará transporte urbano moderno a sete bairros, ligando a estação João Paulo II à UFAL.

Mobilidade e logística ganham ritmo

Na Paraíba, o anúncio do primeiro VLT de Campina Grande marcou um novo capítulo na mobilidade urbana da segunda maior cidade do estado, conectando 11 bairros. As melhorias na BR-230 e demais rodovias elevaram a qualidade da malha federal para 90%.

Na Bahia, o destaque foi a expansão da Fiol 2, com edital de R$ 507,1 milhões entre Caetité e Guanambi, passo estratégico para conectar o Centro-Oeste ao Porto de Ilhéus.

No Rio Grande do Norte, a duplicação da BR-304 fortaleceu o turismo e o transporte de cargas. O estado já executou quase 75% dos recursos do Novo PAC previstos até 2026, somando R$ 22,1 bilhões, além de integrar estudos para recuperação de 7.200 km de ferrovias antigas.

Piauí no eixo do desenvolvimento

No Piauí, a duplicação de trechos das BRs 343 e 316 beneficiou mais de um milhão de pessoas, melhorando a mobilidade e reduzindo acidentes. A nova ponte sobre o Rio Parnaíba, entregue em setembro, reforçou o escoamento da produção agrícola ao conectar o estado ao Maranhão.

Do anúncio à entrega

Em 2025, a infraestrutura do Nordeste deixou de ser promessa reciclada em discurso e passou a ser obra, trilho, ponte e estrada. Com investimentos federais consistentes, a região mostrou que, quando o governo decide fazer, o Nordeste responde — com crescimento, integração e desenvolvimento.

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