Acusado de matar esposa, tenente-coronel garante aposentadoria integral da PM de São Paulo

Oficial preso por feminicídio vai para a reserva remunerada enquanto responde ao processo na Justiça
Redação

A Polícia Militar de São Paulo confirmou, nesta quarta-feira (10), a aposentadoria do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de assassinar a própria esposa, a soldado Gisele Alves Santana. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado e garante ao oficial a transferência para a reserva remunerada com salário integral.

Foto: Reprodução
Tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto sendo conduzido preso pela Corregedoria da PM-SP

O ato foi assinado pelo diretor de Inatividade e Pensão Militar, coronel Antonio Thomazelli Júnior, formalizando a passagem do oficial para a condição de aposentado da corporação.

A medida chama atenção porque ocorre enquanto Geraldo Neto responde a processo por feminicídio e permanece preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista. Na prática, o oficial deixa a ativa da corporação, mas mantém o direito aos vencimentos integrais previstos na legislação militar.

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Segundo informações divulgadas anteriormente pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, o tenente-coronel havia deixado de receber salário após sua prisão, ocorrida em março deste ano. Agora, com a publicação da aposentadoria, sua situação funcional passa a ser vinculada à reserva remunerada.

O Ministério Público de São Paulo solicitou esclarecimentos à Secretaria de Segurança Pública e à Polícia Militar sobre o procedimento que resultou na transferência do oficial para a reserva. O órgão quer acesso à documentação e às informações relacionadas à situação funcional e previdenciária do militar.

Geraldo Neto é apontado como principal suspeito da morte da soldado Gisele Alves Santana, encontrada com um tiro na cabeça dentro do apartamento do casal, no bairro do Brás, região central de São Paulo, em fevereiro deste ano.

A investigação conduzida pela Corregedoria da PM e pela Polícia Civil concluiu pelo indiciamento do oficial por feminicídio e fraude processual. A prisão preventiva foi decretada pela Justiça Militar e cumprida em março, na cidade de São José dos Campos.

Foto: Reprodução
Gisele Alves Santana

Desde o início do caso, o tenente-coronel sustenta a versão de que a esposa teria tirado a própria vida após uma conversa sobre separação. A tese, no entanto, é contestada pelos investigadores, que apontam elementos que sustentam a acusação de feminicídio.

Enquanto a Justiça analisa o caso, o contraste entre a gravidade das acusações e a garantia da aposentadoria integral segue gerando questionamentos e ampliando o debate sobre os mecanismos de responsabilização de agentes públicos envolvidos em crimes graves.

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