Gestão feminina cresce e aponta avanço no empreendedorismo brasileiro

Sindilojas/PI aponta que, em média, uma a cada seis empresas associadas é liderada por uma mulher
Redação
Foto: Reprodução
Lya Nery, CEO da Leg Soluções

O mês da mulher no meio empreendedor em 2026 é celebrado pelo avanço do empreendedorismo feminino no Brasil. Atualmente, já são mais de dez milhões de mulheres à frente de negócios no país, representando cerca de 34% do setor empreendedor, segundo o Sebrae. Já o Global Entrepreneurship Monitor (GEM) aponta que as mulheres estão à frente de 51% dos novos negócios em fase inicial, principalmente nos setores de serviços, comércio e soluções sustentáveis.

Essa expansão no número de mulheres na gestão de empreendimentos também é observada no Sindilojas Piauí. A entidade possui cerca de 18% de suas empresas associadas geridas por lideranças femininas; em média, um a cada seis empreendimentos.

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“Atualmente, podemos nos posicionar de forma mais efetiva porque possuímos entidades que nos representam”, afirma a diretora de relações públicas do sindicato, Kelly Gonçalves.

O avanço é explicado principalmente pela busca por inovação e qualidade no serviço.

“Somos uma distribuidora de bebidas que constantemente busca inovação no mercado. Por sermos da área de viticultura, estamos sempre trazendo novos produtores e rótulos para o Piauí. O diferencial é oferecer algo que ainda não exista no mercado”, pontua a CEO da Enayram Distribuidora, Maryanne Pacheco.

“Meu empreendimento atua com produtos de limpeza voltados a atender grandes empresas. Mesmo atuando há 18 anos no mercado, estamos sempre buscando novidades e soluções eficazes. Recentemente fui até um hotel realizar um treinamento, porque não adianta vender se o cliente não souber extrair o melhor desempenho daquele produto. Isso também faz parte da busca pela satisfação dos nossos consumidores”, comenta a CEO da Leg Soluções, Lya Nery.

Dificuldades

Mesmo com a independência batendo à porta da maioria das mulheres de negócios, fatores como limitações de financiamento, responsabilidades domésticas e estereótipos ainda fazem parte da realidade de muitas. Pensando nisso, a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) criou a cartilha "Mulheres que Constroem o Varejo", voltada ao apoio de políticas públicas para o crescimento e fortalecimento do protagonismo feminino no setor.

“No setor comercial, eu já não observo tanta dificuldade, pois sabemos nos posicionar. Mas, no setor logístico, muitas vezes minha voz é invalidada. Eu percebia que as pessoas faziam ‘ouvido de mercador’ com orientações minhas, que só eram atendidas quando eram feitas pelo meu marido. Então, nessa parte, eu percebi a necessidade de um homem me apoiar”, comenta Maryanne Pacheco.

“Ser mulher nunca me fechou uma porta, pois eu sei me posicionar e quando entrar e sair de um local. Porém, percebemos que, quando se pensa no financiamento bancário, existem alguns bloqueios e impedimentos”, ressalta Lya Nery.

A mulher empreendedora no Piauí

A principal característica encontrada nas gestoras é a forte presença e a capacidade de serem multifacetadas. “A gente tem muito para fazer, esse é o sentimento. Dentro da nossa associação, percebemos que muitas mulheres possuem dificuldade e medo de se mostrar. Elas têm a ideia, mas não avançam por pensar na maternidade ou por focar nas dificuldades”, ressalta a CEO da Leg Soluções, Lya Nery.

“Hoje a mulher tem estrutura para se apresentar. Conseguimos administrar casa, empresa e família e ainda nos atualizar e profissionalizar. Precisamos ser a ‘mulher-maravilha’. O bom é que atualmente somos fortalecidas pelos sindicatos e associações exclusivas para mulheres de negócios”, finaliza a CEO da Enayram Distribuidora, Maryanne Pacheco.

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