Interdição na Av. Maranhão expõe lentidão e falta de planejamento em Teresina
Obra avança devagar, trânsito sofre e informação à população ainda é limitada
Um trecho da Avenida Maranhão, no sentido Sul, próximo ao acesso aos bairros Santa Luzia e Saci, segue interditado após o rompimento de uma galeria durante as fortes chuvas da última semana. A previsão inicial para conclusão da obra é de 15 dias — seis deles já se passaram, e o cenário ainda é de transtornos para quem depende da via.
Na prática, o motorista que tenta seguir pela avenida precisa improvisar: ao chegar ao bloqueio, percorre cerca de 250 metros para retornar ao fluxo correto. Um desvio que, no papel, parece simples, mas na rotina se transforma em mais tempo perdido e congestionamento, especialmente nos horários de pico.
E, como tem sido recorrente, a organização do trânsito também deixa a desejar. Relatos apontam ausência de agentes no local em momentos críticos. “Passo aqui quase todos os dias e nunca vi. Justamente quando mais precisa, não tem ninguém”, afirmou o advogado Gildasio Lustosa, resumindo a sensação de abandono enfrentada por quem circula pela região.
A Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito informa que há suporte à obra e reforço nos horários de maior movimento. Já a Superintendência de Desenvolvimento Urbano Sul afirma que os serviços de aterro foram iniciados e que trabalha para liberar a via “o mais breve possível”.
Enquanto isso, a população segue lidando com o “mais breve possível” que, na prática, raramente acompanha a urgência de uma capital. A situação expõe não apenas os impactos das chuvas, mas também a falta de ações preventivas e de planejamento mais eficiente para evitar que problemas conhecidos se repitam a cada inverno.
Outro ponto da mesma avenida, no cruzamento com a Avenida Gil Martins, também ilustra o ritmo das intervenções. Após meses interditado para obras em galeria, o trecho foi liberado, mas ainda aguarda recapeamento. A justificativa é técnica: o asfalto virá quando chover menos. Até lá, fica a sensação de obra pela metade e paciência por inteiro da população.
Em meio a esse cenário, cresce a cobrança por mais celeridade, transparência e comunicação direta com a sociedade. Em tempos de redes sociais e informação em tempo real, o mínimo esperado é que a população saiba o que está sendo feito, em quanto tempo e com quais impactos. Porque improviso no trânsito até acontece o que não dá é para ele virar regra na gestão.