Lula inaugura Ponte da Integração e lembra que respeito também se constrói com obras
Nova ligação Brasil–Paraguai reforça economia, integração regional e o papel do Estado
RedaçãoO presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta sexta-feira (19), da cerimônia de abertura da Ponte Internacional da Integração Brasil–Paraguai, em Foz do Iguaçu (PR), e resumiu a obra com uma mensagem simples — e aparentemente rara nos tempos recentes: respeito entre governos também se expressa em infraestrutura entregue.
Financiada com recursos do Novo PAC, a ponte recebeu investimento conjunto de R$ 1,9 bilhão e terá liberação gradual do tráfego. Nesta primeira fase, a travessia será permitida para caminhões sem carga, nos dois sentidos. A estrutura amplia a conexão logística e econômica entre os dois países, seis décadas após a inauguração da Ponte da Amizade, hoje sobrecarregada.
“Espero que os produtos do Paraguai venham para o Brasil e os do Brasil possam ir para o Paraguai. As economias precisam crescer e os povos melhorar de vida”, afirmou Lula, ao destacar que integração regional não é discurso diplomático, mas fluxo real de pessoas, mercadorias e oportunidades.
Durante o evento, realizado na nova aduana Brasil–Paraguai, o presidente comparou as duas ligações viárias sobre o Rio Paraná. “Estou tendo o prazer de construir a segunda ponte. A primeira começou em 1965. Esta é maior, mais poderosa e representa respeito do governo paraguaio e do governo brasileiro”, disse, lembrando que obras também falam — e muito.
A Ponte da Integração possui 760 metros de extensão, vão-livre de 470 metros (o maior do continente), duas pistas simples e estrutura estaiada sustentada por torres de 190 metros de altura. Ela liga Foz do Iguaçu à cidade paraguaia de Presidente Franco e foi pensada para aliviar o intenso fluxo da Ponte da Amizade, que recebe diariamente cerca de 100 mil pessoas e 45 mil veículos.
O ministro dos Transportes, Renan Filho, reforçou que a ponte está pronta para operar. “Receita Federal, Polícia Federal e acessos estão preparados. A partir de amanhã, começamos a liberar o fluxo de caminhões”, afirmou, destacando a conclusão da Perimetral Leste, rodovia de 14,7 km que retira o tráfego pesado do centro urbano de Foz do Iguaçu.
A ministra Gleisi Hoffmann lembrou que a ponte faz parte de um pacote maior de investimentos. “O PAC está investindo R$ 67 bilhões no Paraná, em saúde, educação, habitação, transporte e infraestrutura”, disse, numa demonstração de que integração não se faz apenas com uma obra — mas com política pública contínua.
Já o diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, anunciou o início da produção de tilápias no reservatório da usina, resultado de acordo entre Brasil e Paraguai. A iniciativa deve gerar emprego e renda, especialmente para pequenos produtores — um exemplo de que, além de pontes de concreto, o governo aposta em pontes produtivas.
A operação da ponte seguirá cronograma gradual por razões de segurança e adaptação dos órgãos de fiscalização. A liberação total para veículos de carga está prevista entre o fim de 2026 e o início de 2027, condicionada à conclusão de obras de acesso no lado paraguaio.
Depois de décadas de debates, projetos e atrasos, a Ponte da Integração sai do papel e entra em funcionamento. E, como lembrou Lula, não é apenas uma obra de engenharia — é uma sinalização clara de que integração regional se faz com planejamento, investimento público e, sobretudo, entrega.