Mais dinheiro menos solução o velho roteiro do transporte em Teresina
Setut reaparece com promessas enquanto população segue esperando ônibus digno
Como já virou tradição, o SETUT e os consórcios apresentam mais um “plano técnico” para salvar o transporte coletivo de Teresina. A receita? Mais ônibus, mais subsídio e, claro, mais dinheiro público agora na casa dos R$ 11 milhões por mês. Tudo muito bonito no papel, inspirado em outras capitais, como sempre.
Enquanto isso, o usuário segue conhecendo na prática um sistema com atrasos, superlotação e falta de confiabilidade. Mas calma: a solução pode vir também de um “passivo” de R$ 300 milhões. Quem paga essa conta? Adivinha.
Segundo o próprio sindicato, o problema é o desequilíbrio financeiro. Curioso como esse desequilíbrio nunca pesa para quem opera, mas sempre recai sobre o poder público e, indiretamente, sobre a população.
A Prefeitura recebeu o documento e vai analisar. Já o prefeito admitiu o óbvio: o município sozinho não dá conta. O que também não é novidade.
Análise Revista40graus
Na avaliação do Revista 40 Graus, insistir no mesmo modelo esperando resultado diferente já passou do limite do razoável. O contrato atual há muito tempo demonstra sinais claros de esgotamento e deveria ter sido rompido dentro de um planejamento responsável, com transição organizada e uma nova licitação aberta ao mercado.
É preciso discutir um novo sistema com regras claras, equilíbrio econômico real e foco no usuário. Subsídio? Sim. Mas com contrapartida: qualidade, ônibus climatizados, internet, pontualidade e transparência.
O eventual passivo deve ser tratado no ambiente judicial, onde caberá à Justiça definir responsabilidades. O que não pode continuar é a população pagando a conta de um sistema que não entrega o básico.
Um novo modelo eficiente também ajudaria a reduzir o uso excessivo de veículos particulares, que hoje sufocam o trânsito da capital.
No fim das contas, a pergunta continua a mesma: até quando Teresina vai bancar promessas e continuar sem transporte público de verdade?