Morre Raimundo Pereira, referência do jornalismo na resistência democrática
Aos 85 anos, jornalista deixa legado na imprensa crítica e na defesa da democracia
RedaçãoMorreu neste sábado (2), aos 85 anos, o jornalista Raimundo Rodrigues Pereira. Ele faleceu no Rio de Janeiro, onde residia, e o corpo será cremado ainda no mesmo dia.
Em nota, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) destacou que Raimundo Pereira deixa um legado relevante para o jornalismo brasileiro, marcado pela atuação em defesa da democracia e pela produção de conteúdo crítico ao longo de décadas.
Natural de Exu, em Pernambuco, Pereira iniciou sua trajetória profissional nos anos 1960, passando por veículos como a revista Realidade e o jornal O Estado de S. Paulo. Durante o período da ditadura militar, enfrentou perseguições, incluindo prisão, em razão de sua atuação jornalística.
Na década de 1970, integrou a chamada imprensa alternativa, com participação em publicações que buscavam apresentar visões críticas ao regime. Em 1975, fundou a revista Movimento, caracterizada por uma gestão independente e voltada à cobertura de temas sociais, políticos e econômicos.
A revista ganhou destaque por reportagens sobre movimentos populares e greves operárias, além de abordar questões urbanas e políticas sob uma perspectiva analítica. Sua atuação consolidou o nome de Raimundo Pereira como uma das vozes relevantes da imprensa no período.
Após o fim da ditadura, o jornalista continuou atuando no debate público, defendendo propostas relacionadas à organização institucional do país e contribuindo com análises sobre temas políticos e sociais.
Nos anos seguintes, criou o jornal Retratos do Brasil e passou a se dedicar à Editora Manifesto, por meio da qual publicou obras voltadas à análise de acontecimentos políticos nacionais, sempre com abordagem crítica.
A trajetória de Raimundo Rodrigues Pereira se confunde com momentos importantes da história recente do país, especialmente no campo da comunicação e da liberdade de imprensa.