MPPI apura denúncias de assédio moral e saúde mental em delegacias de Picos

Investigação acompanha relações hierárquicas e afastamentos de delegados por questões psicológicas
Redação

O Ministério Público do Estado do Piauí instaurou um Procedimento Administrativo para investigar possíveis casos de assédio moral e acompanhar as condições de saúde mental e as relações hierárquicas nas delegacias da Polícia Civil do Piauí no município de Picos.

A medida foi formalizada por meio de portaria assinada pelo promotor de Justiça Maylton Rodrigues de Miranda, com base nas atribuições constitucionais do Ministério Público voltadas à defesa da ordem jurídica e dos direitos fundamentais.

Foto: Divulgação
A decisão foi confirmada pela Junta Recursal do PROCON do Ministério Público do Piauí (MPPI), após denúncia da Associação Prismas

Segundo o MPPI, o procedimento busca aprofundar informações relacionadas ao ambiente de trabalho nas unidades policiais da região, incluindo relatos de tensão institucional, possíveis situações de assédio e afastamentos de delegados por problemas psicológicos.

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Entre os pontos analisados estão informações levantadas durante inspeções realizadas em 2025, que apontariam afastamentos de delegados por questões ligadas à saúde mental. O órgão considera o cenário preocupante diante do quantitativo de profissionais afastados em relação ao efetivo local.

A portaria também menciona episódios envolvendo campanhas sindicais sobre prevenção ao assédio moral, além de relatos de conflitos internos e possíveis desgastes nas relações de trabalho dentro das delegacias.

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Estado do Piauí, Isaac Vilarinho, afirmou que a entidade acompanha a investigação e defende medidas voltadas ao enfrentamento do adoecimento mental entre policiais civis.

Segundo ele, o sindicato tem intensificado campanhas de conscientização sobre assédio moral e cobrado da gestão da Polícia Civil a criação de protocolos específicos para lidar com situações envolvendo saúde emocional e relações de trabalho.

O Ministério Público também destacou que aproximadamente 20% do efetivo de delegados da região estaria afastado por questões psicológicas, dado considerado incomum e que motivou a ampliação da apuração.

Como parte das medidas iniciais, o MPPI determinou a realização de audiência extrajudicial para o dia 29 de maio de 2026, quando representantes sindicais deverão ser ouvidos. O Grupo de Apoio ao Controle Externo da Atividade Policial também foi acionado para auxiliar nas investigações.

Até o momento, não há conclusões definitivas sobre eventuais irregularidades. O procedimento segue em andamento, e a Secretaria de Segurança Pública do Piauí ainda poderá se manifestar oficialmente sobre o caso.

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