Presidente do TCE critica aumento do IPTU e chama reajuste em Teresina de exorbitante

Tribunal aponta distorções no imposto enquanto população cobra resultados da prefeitura
Redação

O presidente do Tribunal de Contas do Estado do Piauí, Kennedy Barros, classificou como “exorbitante” o aumento registrado no IPTU em parte dos imóveis de Teresina após a atualização da Planta de Valores Genéricos.

A declaração ocorre em meio à repercussão do reajuste aplicado pela prefeitura, que pegou muitos contribuintes de surpresa e reacendeu o debate sobre a forma como a gestão municipal tem conduzido a política tributária da capital.

Foto: Reprodução
Presidente do Tribunal de Contas do Piauí, Kennedy Barros

Segundo o presidente do tribunal, a Corte realizou uma auditoria técnica para analisar distorções no imposto, que estava há cerca de duas décadas sem atualização. O estudo foi elaborado por técnicos do TCE e aprovado por unanimidade pelos conselheiros.

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Mesmo reconhecendo a necessidade de revisão da base de cálculo, Kennedy Barros afirmou que o aumento aplicado em alguns casos ultrapassou limites razoáveis.

De acordo com ele, a lógica defendida pelo tribunal sempre foi a de que eventuais correções ocorressem de forma gradual, ao longo dos anos, justamente para evitar um impacto imediato e pesado no bolso da população.

Em outras palavras, atualizar um imposto depois de duas décadas é necessário. Fazer isso de forma abrupta e transferir a conta de uma só vez para o contribuinte, definitivamente, não era exatamente a recomendação técnica.

A discussão acontece no momento em que a Câmara Municipal de Teresina se prepara para analisar um novo projeto que altera as regras de cobrança do IPTU. A proposta deverá ser encaminhada pela Prefeitura de Teresina em regime de urgência especial e pode ser votada já na próxima sessão legislativa.

O novo texto surge após forte reação de contribuintes diante do aumento registrado em 2026, provocado pela atualização da Planta de Valores Genéricos, que serve de base para o cálculo do imposto.

Enquanto o debate sobre o IPTU ganha força, cresce também a cobrança por resultados concretos da atual gestão municipal. Passado mais de um ano de administração, parte da população questiona o desempenho da prefeitura em áreas essenciais.

Serviços como coleta de lixo, funcionamento das unidades básicas de saúde e atendimento hospitalar continuam sendo alvo de reclamações frequentes. Ainda assim, a gestão municipal segue atribuindo parte das dificuldades à situação herdada de administrações anteriores.

O argumento, porém, começa a encontrar menos paciência entre os contribuintes. Afinal, enquanto o cidadão recebe boletos com valores cada vez maiores, a expectativa é que os serviços públicos acompanhem a mesma velocidade de atualização.

Até agora, para muitos moradores da capital, a conta chegou primeiro do que as melhorias.

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