Arquivos de Epstein crescem, e Trump volta a aparecer — agora com versão “ninguém viu, ninguém provou”

Terceiro lote bilionário de documentos reacende acusações e amplia constrangimentos ao presidente dos EUA
Redação

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou, na sexta-feira (30), o terceiro e maior conjunto de arquivos do caso Jeffrey Epstein, financista bilionário condenado por crimes sexuais. O volume impressiona: cerca de 3 milhões de páginas de documentos, 180 mil imagens e 2 mil vídeos — material suficiente para manter assessores, advogados e porta-vozes em regime permanente de contenção de danos.

Foto: Reprodução
Jeffrey Epstein e Trump

Entre os novos documentos, surgem acusações que citam o presidente dos EUA, Donald Trump, incluindo uma denúncia antiga de abuso sexual envolvendo uma adolescente, supostamente ocorrida há mais de 30 anos. As alegações constam em registros enviados às autoridades, mas, como de costume no caso Epstein, vêm acompanhadas de alertas oficiais sobre a presença de informações não verificadas e até material falso em lotes anteriores.

O Departamento de Justiça afirma que as acusações contra Trump não têm credibilidade e ressalta que o republicano não foi formalmente acusado de crimes relacionados ao caso Epstein. Trump, por sua vez, nega qualquer envolvimento ou conhecimento sobre os abusos cometidos pelo financista — uma negativa que já virou item padrão sempre que seu nome reaparece nos arquivos.

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Trump, Epstein e muitas perguntas sem resposta

O terceiro lote também menciona uma mulher que afirma ter sido vítima de uma rede de exploração sexual em um campo de golfe associado a Trump, na Califórnia, em meados da década de 1990. O relato descreve um esquema envolvendo jovens mulheres, mas, até o momento, não resultou em acusações formais.

Documentos internos do FBI, citados pela imprensa americana, indicam que mais de uma dúzia de denúncias do público envolvendo Trump e Epstein foram registradas ao longo dos anos. O motivo da consolidação dessas informações em relatórios específicos não está claro, o que só aumenta o desconforto político.

A Casa Branca respondeu a questionamentos afirmando que os arquivos divulgados podem conter documentos ou imagens falsos, além de acusações infundadas enviadas ao FBI antes da eleição de 2020 — uma explicação que tenta colocar tudo no mesmo pacote: grande, confuso e, convenientemente, inconclusivo.

Jatos, resorts e coincidências

Lotes anteriores já haviam citado Trump em outros contextos. Um deles mostra que, em 2021, investigadores enviaram uma intimação a Mar-a-Lago solicitando registros ligados ao processo contra Ghislaine Maxwell, cúmplice de Epstein no esquema de tráfico sexual.

Emails de procuradores federais também indicam que Trump teria sido listado como passageiro no jato de Epstein ao menos oito vezes entre 1993 e 1996, em viagens nas quais também estariam mulheres jovens. Os documentos, no entanto, não esclarecem se essas informações deram origem a investigações formais — mais uma coincidência sem desfecho claro.

Outros nomes e o velho roteiro

Além de Trump, os arquivos mencionam diversas figuras proeminentes, como Elon Musk, Bill Gates e autoridades do alto escalão americano, além de celebridades e empresários que aparecem em mensagens ou fotografias. Em praticamente todos os casos, os citados negam irregularidades, e não há provas de envolvimento direto nos crimes de Epstein.

Curiosamente, Trump chegou a criticar a divulgação de fotos de outras figuras públicas associadas ao financista, classificando a exposição como “terrível” — uma avaliação que, ironicamente, passou a valer também quando seu próprio nome voltou ao noticiário.

Divulgação atrasada e possível ponto final

A lei que determinou a liberação dos documentos previa a divulgação completa até 19 de dezembro, mas o governo americano optou por soltar os arquivos em etapas, frustrando parlamentares que esperavam revelações mais conclusivas.

Segundo o procurador-geral adjunto Todd Blanche, este terceiro lote pode ser o último grande conjunto de arquivos do caso Epstein. Ele afirmou que a Casa Branca não interferiu na liberação e que o Departamento de Justiça censurou informações sensíveis, como dados pessoais das vítimas e materiais que envolvem abuso sexual infantil.

No fim, o que sobra é um enorme acervo, muitas acusações antigas, negativas repetidas — e a sensação de que, quando o nome de Trump aparece nos arquivos de Epstein, nada é esclarecido, mas o constrangimento sempre se renova.

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