Ataque de EUA e Israel mata líder supremo do Irã e amplia tensão regional
Morte de Ali Khamenei é confirmada após negativas; cenário político e militar entra em incerteza
RedaçãoO líder supremo do Irã,
, morreu neste sábado (28) após um ataque conjunto realizado pelos Estados Unidos e por Israel contra alvos estratégicos em Teerã. A informação foi confirmada pela mídia estatal iraniana após horas de negativas oficiais.
Segundo autoridades israelenses, a operação envolveu cerca de 200 aeronaves e teve como alvo aproximadamente 500 instalações ligadas à Guarda Revolucionária e ao programa nuclear iraniano. O complexo onde Khamenei residia foi atingido. Além do líder, familiares também morreram na ação.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a morte pode abrir caminho para uma mudança de regime no país e declarou ter recebido relatos de que integrantes da Guarda Revolucionária estariam dispostos a interromper a retaliação. Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que “há muitos sinais” de que o líder iraniano não estava mais vivo, declaração feita antes da confirmação oficial.
A ofensiva ocorreu mesmo após o anúncio de uma nova rodada de negociações entre Washington e Teerã sobre o programa nuclear iraniano, que os Estados Unidos defendem desmantelar integralmente.
De acordo com o Crescente Vermelho iraniano, 201 pessoas morreram e 747 ficaram feridas nos ataques. O Pentágono informou que não houve baixas americanas. Também foram registradas mortes de civis em Abu Dhabi e em Israel em meio às retaliações que se espalharam pelo Oriente Médio.
Khamenei liderava o Irã desde 1989, quando sucedeu Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica estabelecida em 1979. Sua morte marca a primeira vez que um chefe de Estado em exercício é morto em uma operação comandada diretamente por Washington — um precedente que, para alguns analistas, redefine parâmetros já bastante flexíveis da política internacional contemporânea.
No plano institucional, a Constituição iraniana prevê que, na ausência do líder supremo, uma junta provisória composta pelo presidente, pelo chefe do Judiciário e por um membro do Conselho dos Guardiões assuma até que a Assembleia de Peritos escolha um sucessor. No entanto, com o país sob ataque e a cadeia de comando militar como alvo, especialistas avaliam que a Guarda Revolucionária pode assumir protagonismo imediato, ampliando as incertezas.
Entre os cenários possíveis estão a consolidação de uma liderança militar, disputas internas pelo poder ou até confrontos civis. A hipótese de intervenção terrestre estrangeira não foi sinalizada por Washington.
Enquanto líderes ocidentais defendem que a operação pode redesenhar o equilíbrio regional, críticos alertam que a mudança abrupta no comando iraniano tende a prolongar a instabilidade no Oriente Médio região que, mais uma vez, vê a geopolítica decidir seu destino em ritmo acelerado.