Brasil reage após vídeo de ativistas humilhados por forças ligadas ao governo de Israel

Itamaraty cobra explicações de Israel após imagens degradantes contra ativistas em missão humanitária
Redação

O governo brasileiro elevou o tom diplomático contra Israel após a divulgação de um vídeo considerado degradante e humilhante envolvendo ativistas humanitários interceptados no mar Mediterrâneo durante uma missão com destino à Faixa de Gaza.

O Itamaraty convocou a encarregada de negócios da embaixada israelense em Brasília, Rasha Athamni, para prestar esclarecimentos sobre as imagens divulgadas pelo ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, conhecido internacionalmente por posições extremistas.

Foto: Itamar Ben-Gvir/no X
Vídeo divulgado por Itamar Ben-Gvir mostra ativistas ajoelhados em embarcação militar de Israel

No vídeo, ativistas aparecem com as mãos amarradas, subjugados e em posição considerada degradante, gerando forte repercussão internacional e ampliando as críticas à atuação do governo israelense em Gaza e em operações militares na região.

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Entre os integrantes da flotilha interceptada estavam quatro brasileiros: Beatriz Moreira, Ariadne Teles, Thainara Rogério e Cássio Pelegrini. O grupo participava de uma missão humanitária em solidariedade à população palestina da Faixa de Gaza.

O governo brasileiro classificou como ilegais tanto a interceptação das embarcações em águas internacionais quanto a detenção dos ativistas. Em nota oficial, o Itamaraty afirmou que o tratamento dispensado aos participantes da missão afronta princípios internacionais de direitos humanos e viola compromissos assumidos por Israel em tratados internacionais contra tortura e tratamentos degradantes.

A reação do Brasil se soma à de diversos países que também condenaram o episódio. Governos europeus e até representantes dos Estados Unidos criticaram a postura do ministro israelense e o tratamento dado aos ativistas.

O episódio amplia ainda mais o desgaste internacional enfrentado pelo governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, já alvo de críticas globais pelas operações militares em Gaza e no Líbano, marcadas por denúncias de violações humanitárias, destruição em larga escala e elevado número de vítimas civis.

A convocação diplomática feita pelo Brasil representa um gesto formal de reprimenda e demonstra o nível de insatisfação do governo brasileiro diante da condução do caso por autoridades israelenses.

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