Como Lula, Merz e Belém encontraram um novo ritmo no G20

Diplomacia em Passos de Dança
Redação

O encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, neste último sábado (22), em Joanesburgo, poderia ter sido apenas mais uma reunião bilateral de cúpula. Mas, embalado por uma declaração atravessada sobre Belém e por uma resposta brasileira carregada de orgulho amazônico, o diálogo acabou se transformando numa pequena coreografia diplomática — sensível, estratégica e curiosamente empolgante.

Foto: Ricardo Stuckert / PR
O presidente Lula e o primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, durante reunião bilateral em Joanesburgo, na África do Sul, por ocasião do G20

Merz afirmou a Lula que jamais quis ofender Belém ou os brasileiros quando disse estar aliviado por sair da cidade após a COP30. Não chegou a se desculpar — gesto calculado, talvez —, mas buscou reposicionar sua fala: disse que, quando voltar à capital paraense, quer explorar dança, gastronomia e floresta. Um reconhecimento elegante do que antes soara como desdém.

Durante pouco mais de meia hora, os dois líderes conversaram sobre muito mais que mal-entendidos. Lula destacou as belezas da cultura paraense, e Merz, em contrapartida, celebrou a proximidade entre os dois países. Ambos revisitaram o cenário comum: o ambicioso Fundo de Florestas Tropicais (TFFF), cuja promessa alemã de € 1 bilhão movimentou expectativas globais. Berlim vê o aporte como catalisador para investimento privado; Brasília, como o primeiro passo para destravar US$ 125 bilhões destinados à preservação e à remuneração de quem protege a floresta.

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Entre um tema e outro — cooperação econômica, preservação ambiental, parcerias industriais — havia também um aceno simbólico: o reconhecimento de que relações diplomáticas exigem sensibilidade e que, às vezes, até tropeços viram oportunidades.

Ao final, Merz publicou: “Foi um prazer revê-lo hoje, presidente Lula”. E completou com entusiasmo quase tropical: da próxima vez que pisar em Belém, quero experimentar tudo — dos passos de carimbó à floresta viva.

Se a política internacional muitas vezes lembra um tabuleiro rígido, hoje ela pareceu mais uma pista de dança: onde o diálogo, quando afinado, ressignifica gestos, aproxima parceiros e abre espaço para construir soluções que importam — para Belém, para a Amazônia e para o mundo.

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