EUA apreendem petroleiro com bandeira russa que transportava petróleo venezuelano

Navio teria mudado de registro para contornar embargo imposto por Washington ao óleo da Venezuela
Redação

Os Estados Unidos interceptaram e apreenderam, nesta quarta-feira (7), um petroleiro com bandeira russa que transportava petróleo venezuelano no Oceano Atlântico. A ação ocorre em meio à intensificação da crise internacional envolvendo a Venezuela após a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro e pode representar uma nova escalada nas tensões entre Washington e Moscou.

A interceptação foi confirmada por autoridades à agência Reuters e pela emissora estatal russa RT, que divulgou imagens mostrando um helicóptero norte-americano sobrevoando a embarcação em águas internacionais. Até o momento, os Estados Unidos não divulgaram detalhes operacionais da apreensão.

Foto: REUTERS
O petroleiro Bella-1, renomeado Marinera sob bandeira russa, que foi abordado pelos EUA

Segundo informações apuradas, o navio — atualmente identificado como Marinera — vinha sendo monitorado há cerca de duas semanas. Antes, operava sob o nome Bella-1, com bandeira da Guiana, mas teria alterado tanto o nome quanto o registro para a Rússia, com base em Sochi, no Mar Negro, numa tentativa de driblar o embargo total ao petróleo venezuelano decretado pelo presidente Donald Trump.

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O bloqueio foi anunciado após a interceptação de outro petroleiro venezuelano em dezembro e determina a proibição do transporte de petróleo e derivados da Venezuela em qualquer rota internacional. Desde então, diversos navios teriam desligado sistemas de rastreamento e buscado evitar a fiscalização americana.

Diante da aproximação das forças dos EUA, a Rússia reagiu diplomaticamente. Na terça-feira (6), o Ministério das Relações Exteriores russo alertou para a necessidade de respeito à liberdade de navegação prevista no direito internacional. Já nesta quarta, o Ministério dos Transportes classificou a ação como violação das leis marítimas, enquanto parlamentares russos acusaram os EUA de pirataria.

Segundo o Wall Street Journal, autoridades russas chegaram a considerar o envio de um submarino ao Atlântico para escoltar o petroleiro, informação que foi confirmada por fontes americanas à Reuters, embora Moscou não tenha comentado oficialmente.

Especialistas ouvidos pela imprensa internacional avaliam, no entanto, que uma escolta militar direta seria improvável, tanto por dificuldades técnicas quanto pelo impacto político de um confronto direto com os Estados Unidos.

A Rússia, ao lado da China, é uma das principais aliadas do regime venezuelano. Moscou forneceu bilhões em armamentos ao país nas últimas décadas e manteve operações no setor petrolífero, reduzidas nos últimos anos devido às sanções internacionais. O endurecimento do embargo também afeta Cuba, fortemente dependente do petróleo venezuelano.

Após a apreensão do Marinera, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que o bloqueio ao petróleo venezuelano segue em vigor “em qualquer lugar do mundo”, reforçando a disposição de Washington em manter a pressão econômica e diplomática sobre Caracas e seus aliados.

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