Ex-Rei da Espanha admite em autobiografia que matou o irmão com tiro acidental
O Rei Emérito da Espanha, Juan Carlos I, fez uma revelação inédita em seu livro de memórias, intitulado “Reconciliação”
RedaçãoO Rei Emérito da Espanha, Juan Carlos I, fez uma revelação inédita em seu livro de memórias, intitulado “Reconciliação”, lançado nesta terça-feira (11). Pela primeira vez, ele admitiu ter sido o responsável pelo disparo acidental que matou seu irmão mais novo, Afonso, em 1956, quando ambos eram adolescentes.
Mistério de décadas na realeza espanhola
O episódio, há quase 70 anos, foi um dos maiores tabus da monarquia espanhola. Na época, a família real tentou abafar o caso, divulgando uma nota oficial que atribuía o disparo a um acidente doméstico:
“Enquanto Sua Alteza Afonso limpava um revólver com o seu irmão, disparou-se um tiro que o atingiu na testa e matou-o em poucos minutos. O acidente ocorreu às oito e meia da noite, após o regresso do infante do serviço religioso durante o qual tinha recebido a santa comunhão”, dizia o comunicado oficial de 1956.
“Nunca vou me recuperar dessa tragédia”
Agora, aos 87 anos, Juan Carlos decidiu abordar o tema publicamente no capítulo “A Tragédia”, descrevendo o impacto do episódio em sua vida.
“Eu não gostava de falar sobre isso, e esta é a primeira vez que falo. Eu nunca vou me recuperar dessa tragédia. Sua gravidade me acompanhará para sempre”, escreveu o ex-rei.
Segundo ele, tudo aconteceu na casa de praia da família, em Estoril (Portugal), onde viviam durante o exílio da monarquia espanhola.
Juan Carlos contou que os irmãos manuseavam uma pistola sem saber que havia uma bala na câmara:
“Tínhamos retirado o carregador. Não fazíamos ideia de que havia uma bala. Um tiro foi disparado para o alto, ricocheteou e acertou meu irmão bem no meio da testa. Ele morreu nos braços de nosso pai.”
O peso de uma tragédia
O infante Afonso de Bourbon tinha 14 anos, e Juan Carlos, 18, no momento do acidente.
A morte do jovem marcou profundamente o futuro rei, que subiu ao trono em 1975 e abdicou em 2014.
O relato é considerado uma das confissões mais pessoais e comoventes já feitas por um membro da realeza espanhola.