Lula recebe Doutor Honoris Causa em Moçambique e reafirma laços históricos que unem Brasil e África

Reconhecimento celebra trajetória global do presidente e a profunda influência africana na identidade brasileira
Redação

O momento vivido por Luiz Inácio Lula da Silva em Maputo não foi apenas uma cerimônia acadêmica. Foi um encontro de histórias, de memórias e de verdades compartilhadas entre dois povos ligados por séculos de dor, resistência e criação cultural. Ao receber o título de Doutor Honoris Causa em Ciência Política, Desenvolvimento e Cooperação Internacional, concedido pela Universidade Pedagógica de Maputo, Lula celebrou não apenas uma honraria, mas um reconhecimento que toca diretamente a alma do Brasil e da África.

Foto: Ricardo Stuckert / PR
Luiz Inácio Lula da Silva durante a cerimônia de outorga do título de Doutor Honoris Causa em Ciência Política, Desenvolvimento e Cooperação Internacional pela Universidade Pedagógica de Maputo

“Eu já tenho muitos títulos, mas nenhum me emocionou como este”, declarou, visivelmente comovido. “O povo africano ajudou a forjar a alma do Brasil.”
Foi uma fala que ecoou não só no auditório da universidade, mas em toda a comunidade internacional que acompanha sua trajetória. Um reconhecimento que ultrapassa o protocolo e reafirma a importância histórica, cultural e espiritual da África na construção do Brasil moderno.

Educação como ponte entre continentes

Continue lendo após a publicidade

A Universidade Pedagógica de Maputo, marcada pelo legado de Paulo Freire e por décadas de cooperação com instituições brasileiras, simboliza a esperança de um país que investe na formação de professores e no conhecimento como motor de transformação.
Lula destacou a influência do educador pernambucano, cujo método libertador ajudou a formar gerações de moçambicanos. “Este título é também uma homenagem a Paulo Freire e a todos os educadores que mantêm viva a chama da liberdade e do conhecimento.”

O presidente lembrou que, desde 2003, o Brasil ampliou o acesso ao ensino superior, criando universidades, institutos federais e consolidando políticas de inclusão. E reforçou a importância de iniciativas como o PEC-G e a Unilab, que promovem o intercâmbio de jovens de Moçambique e de toda a África — encontros que moldam não só carreiras, mas futuros conectados.

Combater a fome é um compromisso global

Lula reviveu a experiência brasileira no enfrentamento da fome, citando programas como o Fome Zero e o Bolsa Família, agora referência internacional. Ao falar a ministros africanos e ao apresentar a Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, lembrou que a segurança alimentar não é um desafio de um único país, mas um pacto civilizatório.
“A África tem solo fértil e uma juventude vibrante. Com cooperação e ciência, terá um dos futuros mais promissores do planeta.”

Uma universidade que constrói o desenvolvimento de Moçambique

O reitor Jorge Ferrão destacou que mais de 30% dos quadros científicos do país foram formados em instituições brasileiras — resultado de uma cooperação duradoura, profunda e transformadora.
Ao chamar Lula de “professor de humanidade” e “defensor incansável da justiça social”, reforçou o significado histórico da homenagem.

O professor Bernardino Feliciano, da Faculdade de Ciências Sociais e Filosofia, afirmou que o título reconhece uma liderança internacional que soube transformar crescimento econômico em dignidade, inclusão e direitos.

Um encontro que reforça o futuro

A visita ocorre durante as celebrações dos 50 anos das relações diplomáticas entre Brasil e Moçambique. Nesta viagem, foram assinados nove novos acordos, ampliando parcerias em aviação, agricultura, educação, saúde, cultura, comércio e justiça.

Hoje, Moçambique abriga uma das maiores carteiras de cooperação brasileira no mundo. Os dois países ampliaram o comércio bilateral e fortalecem investimentos num ritmo constante.

Este doutor honoris causa não é apenas um título:
É um reconhecimento a uma visão de mundo que valoriza a igualdade, a solidariedade e a cooperação entre povos do Sul Global.

É a reafirmação de que Brasil e África não são estranhos — são parentes de história, de cultura, de luta e de futuro.

E é, acima de tudo, a celebração de um presidente cuja trajetória fala diretamente aos que acreditam em justiça, dignidade e humanidade compartilhada.

Leia também