União Europeia aprova acordo comercial com Mercosul após 25 anos de negociações

Tratado cria maior área de livre comércio do mundo, mas enfrenta resistência liderada pela França
Redação

Países da União Europeia aprovaram nesta sexta-feira (9), em Bruxelas, o acordo de livre comércio entre o bloco europeu e o Mercosul, após 25 anos de negociações. O pacto, considerado o maior do gênero no mundo, reunirá um mercado estimado de 722 milhões de consumidores. Apesar da oposição de alguns países, liderados pela França, os representantes dos Estados-membros autorizaram a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a assinar o tratado na próxima semana, no Paraguai.

Foto: REUTERS
Manifestantes protestam contra o acordo UE-Mercosul no centro de Varsóvia, nesta sexta-feira (9)

A decisão ainda precisa ser confirmada formalmente pelos governos dos 27 países da UE, o que deve ocorrer nas próximas horas, e posteriormente submetida à aprovação do Parlamento Europeu. Mesmo antes dessa etapa, o governo da Alemanha classificou o acordo como “um sinal importante no momento atual”, destacando seu peso econômico e geopolítico.

Segundo diplomatas europeus, França, Polônia, Hungria, Irlanda e Áustria votaram contra o acordo, enquanto a Bélgica se absteve. A Itália, que anteriormente demonstrava reservas, apoiou o tratado após obter concessões da Comissão Europeia, como subsídios ao setor agrícola e flexibilizações relacionadas à taxa de carbono sobre fertilizantes importados.

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O acordo prevê a eliminação de tarifas de importação sobre cerca de 91% das mercadorias comercializadas entre os dois blocos. Estimativas da UE indicam que as exportações europeias para o Mercosul poderão crescer até 39%, com potencial de geração de cerca de 440 mil empregos. Em 2024, o comércio bilateral movimentou aproximadamente € 111 bilhões.

Negociado desde 1999, o tratado ganhou novo impulso no fim de 2024, com apoio do governo brasileiro e de países europeus com forte perfil exportador, como Alemanha e Espanha. Nos últimos meses, o acordo também passou a ser visto como estratégico diante do aumento das tensões comerciais globais e do enfraquecimento do multilateralismo.

Na França, a aprovação reacendeu protestos de agricultores, que voltaram a ocupar Paris com tratores. O governo francês considera agora atuar no Parlamento Europeu e até recorrer ao Tribunal de Justiça da UE para tentar barrar ou atrasar o acordo. A ratificação parlamentar está prevista para ocorrer até abril, mas pode enfrentar entraves políticos e jurídicos.

Embora a parte comercial esteja avançada, outros aspectos do acordo, de natureza política e institucional, ainda dependerão de aprovação nos Parlamentos nacionais dos países-membros, um processo que pode se estender por anos.

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